Michel Vovelle




Vovelle é historiador especialista em revolução francesa e recentemente escreveu o magnífico As Almas do Purgatório ou o Trabalho de Luto.

artigo sobre pseudônimo


O artigo "Allan Kardec: a história de um pseudônimo ou um pseudônimo e a História" do historiador Cristian Macedo foi publicado da nossa revista.

Trazendo ricas informações, desvenda uma série hipóteses levantadas desde 1860 sobre o pesudônimo "Allan Kardec". Empregando disciplinas da Linguística e usando ferramentas próprias da História, o autor faz um apanhado documental valiosíssimo para todo estudioso do Espiritismo.
Desde a idéia original de uma reencarnação de Rivail como camponês até a versão surgida no século XX de uma reencarnação como druida,  a possível origem do pseudônimo é tratada de diversas maneiras. Ao reunir estas múltiplas versões o autor propõe uma bela síntese, ao mesmo tempo que realiza um passeio pela história da França, demonstrando como a mentalidade francesa possibilitou a  construção do pseudônimo e seu significado. 

Revista Espírita Histórica e Filosófica - 7





Edição especial, comemorando 1 ano de Revista.
Este número apresenta profunda pesquisa sobre as possíveis origens do pseudônimo Allan Kardec.
Seria o nome de uma floresta? de um santo? de um sacerdote? de um guerreiro? 
Seria uma reencarnação de H.L.D. Rivail?
Adquira o seu exemplar!

Apenas R$ 1,50 reais, na versão digital.




c/ Maria Carolina Gurgacz
filosofiaespirita@gmail.com  


(51) 9137-4149



O bom senso de Kardec na construção da Doutrina


O bom senso de Kardec na construção da Doutrina Espírita from filosofia espirita on Vimeo.

Revista Espírita Histórica e Filosófica nº 7





Edição especial, comemorando 1 ano de Revista.
Este número apresenta profunda pesquisa sobre as possíveis origens do pseudônimo Allan Kardec.
Seria o nome de uma floresta? de um santo? de um sacerdote? de um guerreiro? 
Seria uma reencarnação de H.L.D. Rivail?
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(51) 9137-4149



17. Confirmação da identidade

Quando trata das manifestações visuais Allan Kardec escreve o seguinte:
Os ademanes, o aspecto, são semelhantes aos que tinha o Espírito quando vivo. Podendo tomar todas as aparências, o Espírito se apresenta sob a que melhor o faça reconhecível, se tal é o seu desejo. Assim, embora como Espírito nenhum defeito corpóreo tenha, ele se mostrará estropiado, coxo, corcunda, ferido, com cicatrizes, se isso for necessário à prova da sua identidade. Esopo, por exemplo, como Espírito, não é disforme; porém, se o evocarem como Esopo, ainda que muitas existências tenha tido depois da em que assim se chamou, ele aparecerá feio e corcunda, com os seus trajes tradicionais. (...)

Allan Kardec autor, co-autor...

O trabalho de Allan Kardec não foi somente o de codificar os ensino dos Espíritos; é preciso enfatizar a sua condição de autor, ou co-autor, da Codificação Espírita. A elaboração do Espiritismo expressa o pensamento de Kardec e da Falange do Espírito de Verdade, pois sabemos que Espíritos Superiores têm uma sintonia e interação tão perfeitas que podem falar uns pelos outros.
Assim, no momento em que inicia as pesquisas com rigor e método científico, partindo dos fatos para elaborar a teoria, o Prof. Rivail caminha ao encontro de todo o seu rico acervo de vivências pretéritas edificantes, do qual extrai igualmente as suas concepções filosóficas tanto quanto de uma religiosidade fundamentada na razão.

Texto de Sueli C. Schubert, do livro publicado pela FEB, Entrevistando Allan Kardec, página 31/2

O Imbecil Especializado

Continuamos a desperdiçar tanto tempo e energia como os que eram necessários antes da invenção das
máquinas; nisto fomos idiotas, mas não há motivo para que continuemos a ser.
Bertrand Russell


  1. nascimento da sociedade industrial
  2.  Iluminismo
  3. um século de descobertas
  4. burguesia
  5. produzir
  6. a sociedade mudou
  7. Engenheiros
  8. teorias sociais
  9. Rerum Novarum
  10. Ensinamento da encíclica


Ensinamento da encíclica

O que lhes havia ensinado a encíclica?

Rerum Novarum

A Rerum Novarum intervém tardiamente nesse debate ao final do século. Por que mesmo assim é importante?

teorias sociais

Quais são as teorias sociais que se enfrentam no final do século XIX e início do XX?

Engenheiros

A sociedade industrial significa, desde o começo, e significará por muito tempo, a hegemonia de uma
categoria: a dos engenheiros.  Originalmente com Frederick W. Taylor.

a sociedade mudou

Mas quando é que aflora a consciência de que a sociedade mudou? Quando é que as pessoas começam a se dar conta de que habitam um novo mundo, diferente daquele artesanal e rural?

produzir

A que necessidades fundamentais, final das contas, responde, essa sociedade nascente?

burguesia

No plano econômico, o que acontece?

um século de descobertas

Porém, o século XVIII não é só um século de sistematização do saber é um século de descobertas.

Iluminismo

A dúvida brota como dúvida teórica, isto é, em uma linha puramente intelectual?

nascimento da sociedade industrial

Nós nos encontramos agora diante do nascimento da sociedade que a todos nós (com exceção somente daqueles que hoje são ainda muito jovens) parece um habitat natural: a sociedade industrial. No começo não foi absolutamente considerada como "natural", mas sim como um abalo. Quão profunda é a revolução iniciada no século XVIII?

Vitalismo e outras questões oitocentistas em Eça de Queirós

Mas a porta abriu-se com força, e um rapaz de barba desleixada, e olhar um pouco doido, entrou; era um estudante da Escola, amigo de Julião, e quase imediatamente os dois recomeçaram uma discussão que tinham travado de manhã, e que fora interrompida às onze horas, quando o rapaz de olhar doido a almoçar à Áurea.
— Não, menino! — exclamava o estudante, exaltado. — Estou na minha! A Medicina é uma meia ciência; a Fisiologia é outra meia ciência! São ciências conjeturais, porque nos escapa a base, conhecer o princípio da vida!

Média de vida no século XIX

Na verdade, antes as pessoas eram aproveitadas até o dia em que morriam. A vida média até duas gerações atrás era de trezentas mil horas, e o inicio da aposentadoria quase sempre coincidia com o fim da vida. As companhias de seguro, até pouco tempo, estavam financeiramente equilibradas porque as pessoas morriam quando atingiam a idade para usufruir da apólice. Os nossos bisavós trabalhavam durante quase a metade de sua vida. Na segunda metade do século XIX-, a vida média dos homens era de trinta e quatro anos, e a das mulheres, de trinta e cinco: menos da metade da atual expectativa de vida na Itália.

Domenico De Masi 
O ócio Criativo. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2000, p.63.
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Allan Kardec e Jan Huss no mundo espiritual



Para comemorar os quinhentos anos de nascimento Jan Huss a Revista Espírita publica interessante matéria, em setembro de 1869.
Após apresentar uma reportagem do Siècle de 11 de julho de 1869, e apresentar dados biográficos do personagem histórico duas mensagens são publicadas uma de Huss e outra de Allan Kardec. 
Diz a revista: 
Evocado por um de nossos médiuns, o Espírito de João Huss deu a seguinte comunicação, que nos apressamos em mostrar aos nossos leitores, bem como uma instrução do Sr. Allan Kardec sobre o mesmo assunto, porque nos parecem bem caracterizar a natureza do homem eminente, que se ocupou com tanto ardor, desde o século quinze, a preparar os elementos da emancipação e da regeneração filosóficos da Humanidade.

Acesse os links:
Dados biográficos de Jan Huss publicados na Revue
Mensagem de Jan Huss 
Mensagem de Allan Kardec sobre Jan Huss

Robert Owen e Robert Dale Owen


Robert Owen (1771-1858)




Abaixo artigo do indispensável site:

ROBERT DALE OWEN
O SOCIALISTA

O Site vem agora apresentar mais um grande Gigante do Espiritismo, agora vindo do Estados Unidos, pois foi um dos trabalhadores das primeiras horas do Surgimento da Doutrina Espírita.

Robert Dale Owen nasceu em 7 de novembro de 1801 em Glasgow na Escócia e desencarnou em 24 de junho de 1877.
Dale Owen era filho do socialista galês Robert Owen (1771-1858), um reformador social de grande renome, que se devotou à educação da juventude, à melhoria das condições de vida dos pobres e é considerado o pai do movimento de cooperativas.

Dale Owen emigrou para os Estados Unidos em 1825 e ajudou seu pai a criar uma comunidade - New Harmony - em Indiana organizada segundo seus ideais socialistas. O empreendimento não teve sucesso e, após um breve período na Europa, Dale Owen se estabeleceu em Nova Iorque onde dirigiu o jornal "Free Enquirer" (1828-1832).

Em 1833 ele retornou para Indiana e a partir de 1835 começou sua atuação política pelo partido Democrata. A relação apresentada pelo Diretório Biográfico do Congresso Americano dá uma idéia da carreira política de Dale Owen:

- Indiana House of representatives 1835-1838 (o equivalente a deputado estadual);
- Deputado pelo partido Democrata no Congresso Americano (March 4, 1843-March 3, 1847)
- Indiana Constitutional Convention (equivalente a uma assembléia constituinte estatual) em 1850.
- Indiana House of representatives em 1851.
- Embaixador dos Estados Unidos em Nápoles (na época capital do Reino das Duas Sicilias) de 1853 a 1858.

Dedicou-se ao Estudo do Espiritismo visando provar a seu pai o grave erro em que ele incorria ao se interessar pelos fenômenos supranormais. E o resultado de suas investigações foi render-se à evidência dos fatos por ele verificados.

Robert Dale Owen devotou sua vida a expansão dos Postulados da Doutrina Espírita dentro dos Estados Unidos é como um espiritualista convicto e de grande integridade.

No inicio de janeiro de 1875 ele escreveu um artigo para o jornal Atlantic Monthly sobre as sessões de materialização do espírito Katie King (famoso pelos estudos realizados entre 1871 e 1874 pelo cientista inglês Willian Crookes com o auxílio da médium Florence Cook)

Publicou várias obras nas quais declara sua convicção na sobrevivência do espírito após a morte do corpo físico e a mais importante foi o livro intitulado “Região em Litígio entre este Mundo e o Outro” publicado na Filadélfia, em 1877.

Robert Dale Owen (1801-1877)

Domenico de Masi

Domenico De Masi


Ócio Criativo


1.Robert Owen e New Lanark

Robert Owen e New Lanark


New Lanark
"Contudo, a estética não nos serve mais para conseguir a graça dos deuses": é um componente menos mágico da nossa existência.
Mas, se pensarmos bem, ainda hoje delegamos uma grande parte da nossa felicidade à arte: quando desejamos nos sentir bem, nos divertir, vamos ao cinema, ao teatro, a um museu, ou vamos admirar uma bela paisagem.
Foi a sociedade industrial que isolou o belo, expulsando-o do mundo do trabalho: são pouquíssimos os empresários que deram valor à estética. Um exemplo raro é o de Robert Owen, que, no início do século XIX, construiu uma esplêndida fiação, New Lanark, na Escócia. Eu a visitei: é enorme, é quase uma cidade. Ali se encontram a casa da inteligência e a casa dos sentimentos: até mesmo a topografia foi planejada de modo a que, desde criança, o ser humano pudesse habituar-se a se tornar um ser pensante."

Domenico De Masi 
O ócio Criativo. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2000, p.30
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Caráter da revelação espírita


Allan Kardec e Jan Huss no mundo espiritual



Para comemorar os quinhentos anos de nascimento Jan Huss a Revista Espírita publica interessante matéria, em setembro de 1869.
Após apresentar uma reportagem do Siècle de 11 de julho de 1869, e apresentar dados biográficos do personagem histórico duas mensagens são publicadas uma de Huss e outra de Allan Kardec. 
Diz a revista: 
Evocado por um de nossos médiuns, o Espírito de João Huss deu a seguinte comunicação, que nos apressamos em mostrar aos nossos leitores, bem como uma instrução do Sr. Allan Kardec sobre o mesmo assunto, porque nos parecem bem caracterizar a natureza do homem eminente, que se ocupou com tanto ardor, desde o século quinze, a preparar os elementos da emancipação e da regeneração filosóficos da Humanidade.

Acesse os links:
Dados biográficos de Jan Huss publicados na Revue
Mensagem de Jan Huss 
Mensagem de Allan Kardec sobre Jan Huss

Mensagem de Allan Kardec sobre Jan Huss

(Paris, 17 de agosto de 1869)

Analisando através das eras a história da Humanidade, o filósofo e o pensador logo reconhecem, na origem e no desenvolvimento das civilizações, uma gradação insensível e contínua. – De um conjunto homogêneo e bárbaro surge, em primeiro lugar, uma inteligência isolada, desconhecida e perseguida, mas que, não obstante, faz época e serve de baliza, de ponto de referência para o futuro. – A tribo, ou se quiserdes, a nação, o Universo avançam em idade e as balizas se multiplicam, semeando aqui e ali os princípios de verdade e de justiça que serão a partilha das gerações que chegam. Essas balizas esparsas são os precursores; eles semeiam uma idéia, desenvolvem-na durante sua vida terrena, vigiam-na e a protegem no estado de Espírito, e voltam periodicamente através dos séculos para trazerem seu concurso e sua atividade ao seu desenvolvimento.

Mensagem de Jan Huss

(Paris, 14 de agosto de 1869)

A opinião dos homens pode dispersar-se momentaneamente, mas a justiça de Deus, eterna e imutável, sabe recompensar, quando a justiça humana castiga, perdida pela iniqüidade e pelo interesse pessoal. Apenas cinco séculos (um segundo na eternidade) se passaram desde o nascimento do obscuro e modesto trabalhador e já a glória humana, à qual ele não se prende mais, substituiu a sentença infamante e a morte ignominiosa, incapazes de abalar a firmeza de suas convicções.

Dados biográficos de Jan Huss publicados na Revue


João Huss nasceu a 6 de julho de 1373 sob o reinado do imperador Carlos IV e sob o pontificado de Gregório XI, cerca de cinco anos antes do grande cisma do Ocidente, que se pode encarar como uma das sementes do hussitismo. A História nada nos ensina do pai e da mãe de João Huss, senão que eram criaturas probas, mas de origem obscura. Segundo o costume da Idade Média, João Huss, ou melhor, João de Huss, foi assim chamado porque nasceu em Huissinecz, pequeno burgo situado ao sul da Boêmia, no distrito de Prachen, nas fronteiras da Baviera. 

Entrevistando Kardec

Maria Carolina Gurgacz

Realizado a partir do artigo “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”  de 1859, mês de Julho. 


1)   Senhor Allan Kardec. Sabemos que de acordo com o estatuto da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas existem algumas restrições para participar dos estudos.Qual é o motivo delas?

Re: Essas restrições parecerão muito naturais aos que conhecem a finalidade de nossa instituição e sabem que somos, antes de tudo, uma Sociedade de estudos e de pesquisas, e não uma arena de propaganda. É por essa razão que não admitimos em nossas fileiras aqueles que, não possuindo as primeiras noções da ciência, nos fariam perder tempo em demonstrações elementares, incessantemente repetidas. 

2)       O que o Senhor diria para aquele que quer saber verdadeiramente sobre o Espiritismo?

O ensino de história

Trecho do

Discurso pronunciado na distribuição de prêmios

de 14 de agosto de 1834

Por Sr. Rivail

O ensino de história também sofreu modificações da mais alta importância. Esta ciência é ensinada em toda parte por meio de livros apenas; há cerca de dez anos pensei em fazer um estudo tanto para os olhos quanto para o espírito. Tinha trabalhos nessa época com esse objetivo, mas que foram interrompidos; e apenas neste ano pude continuá-los.

Revolução Francesa - oposição França x Inglaterra e fracasso de reformas

Anne Robert Jacques Turgot 1727-1781
Durante todo o século XVIII a França foi o maior rival econômico da Grã-Bretanha. Seu comércio externo, que se multiplicou quatro vezes entre 1720 e 1780, causava ansiedade; seu sistema colonial foi em certas áreas (como nas índias Ocidentais) mais dinâmico que o britânico. Mesmo assim a França não era uma potência como a Grã-Bretanha, cuja política externa já era substancialmente determinada pelos interesses da expansão capitalista. Ela era a mais poderosa, e sob vários aspectos a mais típica, das velhas e aristocráticas monarquias absolutas da Europa. Em outras palavras, o conflito entre a estrutura oficial e os interesses estabelecidos do velho regime e as novas forças sociais ascendentes era mais agudo na Franca do que em outras partes. As novas forças sabiam muito precisamente o que queriam. 

A MÃE DE TODAS AS BURCAS

Aqui coloco um artigo interessantíssimo de Richard Dawkins (que fecha seu livro "Deus um delírio") como texto de apoio para um estudo sobre as sensações e percepções dos Espíritos, segundo Allan Kardec que publicarei, aqui na minha coluna, adiante.
Obviamente este artigo não foi escolhido para defender a tese kardequiana, mas serve para relembrarmos a tese de Dawkins sobre o "Mundo Médio" das percepções e onde apresenta uma proposta evolucionista de como as necessidades produziram a faixa de captação dos sentidos do homem.


Richard Dawkins
A MÃE DE TODAS AS BURCAS

Um dos espetáculos mais tristes de nossas ruas hoje em dia é a imagem de uma mulher encoberta por uma forma negra dos pés à cabeça, espiando o mundo através de uma nesga minúscula. A burca não é só um instrumento da opressão de mulheres e de repressão de sua liberdade e de sua beleza; não é só um símbolo da crueldade flagrante masculina da trágica submissão feminina. Quero usar a estreita fenda do véu como representação de outra coisa. 

15. As descrições do mundo espiritual e o problema da colher

Quando Allan Kardec estuda os fenômenos mediúnicos e trava contato com diversos Espíritos que respondem suas questões através dos médiuns, o mundo espiritual não era nenhuma novidade.
Como já vimos em posts passados, Swedenborg foi o primeiro, na era contemporânea, a apresentar descrições deste mundo invisível com ares de cientificidade. 
No caso dos magnetistas (e Kardec era um deles) os fenômenos de sonambulismo, principalmente no estágio de êxtase, já haviam produzido diversas descrições do mundo espiritual. Cahagnet, com o Magnetismo Espiritualista, publicou diversas obras onde seus diálogos com extáticos apresentam um mundo espiritual com Espíritos de diverso vestuário, com ocupações muitas vezes semelhantes às dos homens, com objetos semelhantes aos da Terra, etc.




14. No sono vivemos o mundo espiritual

No post anterior levantamos a seguinte questão:
Sendo tão diferente do mundo corporal, como não sofrer um estranhamento tão grande a ponto de ser insuportável a vida no mundo espiritual?
Ao comentar o que eu havia escrito, meu amigo André Cascaes adiantou a resposta trazendo uma série de perguntas e respostas de O Livro dos Espíritos, onde Allan Kardec trata do tema "sono e sonhos".
Segundo o Espiritismo, ao dormirmos nossa alma se desprende do corpo, passando a viver uma outra realidade: a realidade espiritual. É uma espécie de morte diária, como vemos no item 402:

Allan Kardec e a autorização dos Espíritos para correções de mensagens

Ao estudar as obras de Allan Kardec se percebe alguns ajustes feitos pelo autor, de edição em edição, não só em seus textos, como em mensagens de Espíritos.
Longe de serem intocáveis, as mensagens são expressões do pensamento do Espírito que se comunica, mas que, na forma, recebe uma carga de informações do médium. É uma espécie de parcela do médium nas comunicações que, segundo os próprios Espíritos, dá o "colorido" da mensagem. 
Segue um trecho da mensagem assinada por Erasto e Timóteo, recolhidas em O Livro dos Médiuns ou guia dos médiuns e evocadores, no capítulo XIX, Os médiuns nas comunicações espíritas:

Erro de Linguagem de um Espírito

Revista Espírita, junho de 1860.

Recebemos a seguinte carta, a propósito do fato de escrita direta, relatado em nosso número da Revista Espírita do mês de maio.

PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA

Revista Espírita, maio de 1860
No dia 11 de fevereiro último o Sr. X..., um dos nossos mais ilustres literatos, achava-se em casa da Srta. Huet, com seis outras pessoas, há tempos iniciadas nas manifestações espíritas. O Sr. X... e a Srta. Huet assentaram-se face a face, em volta de uma mesinha escolhida pelo próprio Sr. X... Este último tirou do bolso um papel perfeitamente branco, dobrado em quatro e por ele marcado com sinal quase imperceptível, embora suficiente para ser facilmente reconhecido; colocou-o sobre a mesa e o cobriu com um lenço branco que lhe pertencia. A Srta. Huet pôs as mãos sobre a ponta do lenço; o Sr. X... fez o mesmo, pedindo aos Espíritos uma manifestação direta, com vistas à sua instrução. Pediu-a de preferência a Channing, evocado com essa finalidade. Ao cabo de dez minutos, ele mesmo levantou o lenço e retirou o papel, que trazia escrito de um lado o esboço de uma frase traçada com dificuldade e quase ilegível, mas na qual se podiam descobrir os rudimentos destas palavras: Deus vos ama; do outro lado estava escrito: Deus, no ângulo exterior, e Cristo, no fim do papel. Esta última palavra era escrita de modo a deixar uma impressão na folha dupla.

a Revolução Francesa- influências

A Revolução Francesa pode não ter sido um fenômeno isolado, mas foi muito mais fundamental do que os outros fenómenos contemporâneos e suas conseqüências foram portanto mais profundas. Em primeiro lugar, ela se deu no mais populoso e poderoso Estado da Europa (não considerando a Rússia). Em 1789, cerca de um em cada cinco europeus era francês. Em segundo lugar, ela foi, diferentemente de toda as revoluções que a precederam e a seguiram, uma revolução social de massa, e incomensuravelmente mais radical do que qualquer levante comparável. Não é urri fato meramente acidental que os revolucionários americanos e os jacobinos britânicos que emigraram para a Fiança devido a suas simpatias políticas tenham sido vistos como moderados na França. Tom Paine era um extremista na Grã-Bretanha e na América; mas em Paris ele estava entre os mais moderados dos girondinos.

13. Dificuldades na linguagem para expressar o mundo espiritual

Nas obras kardequianas não foram poucas as vezes em que os Espíritos apresentam a dificuldade de expressar suas idéias.
Afirmando que no mundo espiritual se comunicam pelo pensamento, a clareza do fundo não tem as armadilhas da forma, comuns no cotidiano da linguagem humana.
Traduzir na linguagem humana o que vivem, sentem e produzem quase sempre é tarefa realizada sem total êxito.

12. Mundos transitórios: um lugar para os Espíritos

Mozart
Em maio de 1859, uma informação nova e interessante surge nas páginas da Revista Espírita. 
Visto que as informações dadas até então pelos Espíritos remetia a uma noção de constante movimento, algo dito pelo Espírito de Chopin chama a atenção: existem mundos onde os Espíritos (e somente eles) habitam.  
Abaixo o diálogo, envolvendo Allan Kardec e os Espíritos Chopin e Mozart:

Mundos Intermediários ou Transitórios

Allan Kardec, Revista Espírita, Maio de 1859.

Numa das respostas que foram dadas em nosso número anterior, vimos que haveria, ao que parece, mundos
destinados aos Espíritos errantes. A idéia de tais mundos não se achava na mente de nenhum dos assistentes e ninguém nela teria pensado não fosse a revelação espontânea de Mozart, nova prova de que as comunicações espíritas podem ser independentes de qualquer opinião preconcebida. Visando aprofundar essa questão, nós a submetemos a um outro Espírito, fora da Sociedade e através de outro médium, que não lhe tinha nenhum conhecimento.

11. Movimentos e instrução dos Espíritos

A idéia de movimento é tão importante nos conceitos kardequianos que o termo usado para designar o estado em que se encontra o Espírito entre uma reencarnação e outra é "erraticidade".
O espírito errante não é exatamente a "alma penada" da cultura popular, pois, exceção dos puros, todo Espírito, não estando encarnado,  é classificado como "errante" por Allan Kardec. 
Estar sem o corpo físico é fator que contribui para esse constante movimento:

Parabéns, Allan Kardec




Foi em 1854 que pela primeira vez ouvi falar das mesas girantes. Encontrei um dia o magnetizador, Senhor Fortier, a quem eu conhecia desde muito tempo e que me disse: Já sabe da singular propriedade que se acaba de descobrir no Magnetismo? Parece que já não são somente as pessoas que se podem magnetizar, mas também as mesas, conseguindo-se que elas girem e caminhem à vontade. — “É, com efeito, muito singular, respondi; mas, a rigor, isso não me parece radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de eletricidade, pode perfeitamente atuar sobre os corpos inertes e fazer que eles se movam.”

10. Espíritos: seus movimentos e viagens...

Em oposição à locais preestabelecidos para purgação ou gozo pós-morte, a idéia de movimento é uma constante nas obras kardequianas.
Na citação abaixo, retirada de O Livro dos Médiuns: ou guia dos médiuns e evocadores, além de dar a idéia de mobilidade do Espírito, apresenta a imobilidade como uma opção própria dos "Espíritos inferiores" (em negritos nossos, na citação), que se apegam a lugares específicos:

9. Um Céu Infinito

A primeira grande obra de Allan Kardec (com este pseudônimo) é O Livro dos Espíritos, de 1857, com segunda edição em 1860.
Para entendermos  a diferença entre o mundo espiritual das religiões e o apresentado nas obras kardequiianas, podemos começar por dois tópicos deste livro (os negritos são meus):

Em que sentido se deve entender a palavra céu?

8. Fantasias nas narrações do mundo espiritual

 Extáticos, como Swedenborg era, têm uma capacidade de ver a realidade espiritual com sentidos diferentes dos sentidos corporais, visto que suas almas, segundo o Magnetismo Animal e o Espiritismo, estão emancipadas do corpo.
Ao estudar esse tema em seu último grande livro (a Gênese, Milagres e predições segundo o Espiritismo), o fundador do Espiritismo traz interessantes reflexões.
Para Allan Kardec:



7. Allan Kardec e Swedenborg

Após as citações relacionadas no post anterior, fica bem evidente a relação do céu e do inferno materializados da mentalidade popular com as descrições feitas por Swedenborg do céu, inferno e mundo espiritual vislumbrados em seus êxtases.
Em novembro de 1859, na Revista Espírita, editada por Allan Kardec, é publicado um diálogo de Allan Kardec com Swedenborg Espírito por meio da mediunidade.
Sobre a obra dele, em vida, Allan Kardec diz:

Clubland

Post original em Tweedland




Clubland ou o "País dos Clubes" situa-se em uma zona especifica de Londres.
O eixo principal é Pall Mall, o seu cruzamento com Waterloo Place e ainda a área abrangente como St. James Street.
Os Gentlemen's Clubs (não confundir com a mesma designação para clubes eróticos e locais menos recomendáveis) foram, e apesar de uma crise de sobrevivência de alguns, ainda são os locais de excelência da vida masculina britânica em sociedade.

6. Mundo espiritual de Swedenborg








Abaixo algumas passagens dos livros de Swedenborg. Foram retiradas de O Céu e o Inferno (O Céu, e suas maravilhas, e o Inferno, segundo o que foi ouvido e visto).





5. Os êxtases de Swedenborg






Swedenborg era um êxtatico, ou seja, fazia um estado alterado de consciência e adentrava, segundo ele, realidades espirituais.
Descreveu o Céu e o Inferno, além do que ele chamava o "mundo dos Espíritos", uma espécie de "local de espera" onde viviam os espíritos antes de irem a sua morada definitiva. 
Amanhã, farei uma série de citações das suas obras que tratam do mundo espiritual para termos uma visão panorâmica das suas idéias sobre o tema.
Essa visão nos dará condições de entender alguns motivos que levaram Allan Kardec a se opor às descrições feitas pelos extáticos dos locais espirituais.


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4. Céu em Camadas (Mundo espiritual segundo Allan Kardec - parte 1)


















A idéia de céus concêntricos suspensos sobre a Terra estava presente na antiguidade em diversas culturas como a persa e  a judaica. Numa realidade ainda longe da filosofia sofisticada e, ainda mais, da ciência que alargaria a visão da humanidade em relação ao Universo, o homem entendia a Terra como ambiente parado, estagnado, onde abaixo estaria o local para onde iriam as almas dos mortos em punição. Acima, os céus em camadas seriam as moradas dos eleitos. Cada céu guardaria um tipo de boa alma.
Não há um modelo somente. São muitas as perspectivas sobre estes céus. Para alguns, são sete céus (mais recentemente a idéia muçulmana) para outros, haveria apenas três (Paulo de Tarso fala em arrebatamento ao terceiro céu). 
Existiam céus para santos, céus para anjos, céus onde se elaborava o maná (o conhecido alimento celestial), sob a supervisão dos anjos...
Toda essa mitologia, volto a dizer, baseava-se numa visão de realidade onde a Terra era o centro de tudo e os mortos tinham o acima ou o abaixo como destinação. Simplificando (e muito, diga-se de passagem) os bons iam para os andares de cima, os maus iam para os de baixo.
Inevitavelmente, nessas culturas primeiras, as noções de penas ou recompensas, mesmo em uma vida que poderíamos chamar "espiritual" eram marcadas pelas sensações de dor ou prazer. 
Elaboraram-se céus e infernos de gozo e de sofrimento, ou seja, era ainda impossível, pelo que tudo indica, imaginar uma vida pós-morte sem os sentidos do corpo.
E quando se pensa em uma existência onde prazer e dor são imprescindíveis para caracterizar a recompensa ou a pena, a cópia do mundo material surge. 
Toda dor que se consegue imaginar infligir em um corpo, existia nos infernos.
Todo prazer que se possa imaginar obter pelo corpo, existia nos céus (até em céus menos moralistas, onde virgens esperavam os eleitos). 
As caldeiras e a escuridão infernal, contrastavam com os campos, jardins e bosques primaveris dos céus...
As roupas rotas, ou a nudez vergonhosa, opunha-se às vestes leves e alvas dos anjos e dos eleitos...
Comer, beber, dormir, ou não fazê-los são relatos comuns nas narrativas envolvendo o velho pós-morte. 
Como tempo, forjando-se o judaico-cristianismo, assimilando múltiplas culturas orientais e ocidentais, entre elas a egípcia, a persa, a grega, a romana, a dos "povos do Norte" e, obviamente a judaica, Céu e Inferno ganham características específicas. O Catolicismo, unindo teologia e cultura popular, Agostinho e Dante produz a mais famosa concepção de vida após a morte, reelaborando noções materiais, de localização e circusncrição,  de penas e gozos, mantendo uma infância mitológica que com o tempo se desgastou (mesmo com as invenções tardias do Purgatório e do Limbo - este último já desaparecido por decreto papal).
No Século das Luzes a Ciência e a Filosofia já estavam dando conta de extinguir a mitologia religiosa do Céu e do Inferno quando um sueco brilhante, Emanuel Swedenborg  (1688-1772) começa a descrever o mundo dos Espíritos, Céu e Inferno conforme ele viu.
"Conforme ele viu"?

   



3. Mundo Espiritual segundo Allan Kardec: Introdução

A idéia de mundo espiritual presente nas obras de Allan Kardec está, ao mesmo tempo, em um contexto de oposição ao mundo espiritual localizado e circunscrito da Religião (e dos extáticos¹ que pareciam querer comprová-la), bem como de oposição a idéias de penas e recompensas "materiais" como conseqüências de uma vida conforme ou não a padrões morais vigentes.
Allan Kardec é filho de uma época de efervescência cultural, de revoluções industrial e científica. A Astronomia já havia demonstrado que no universo, em sua infinitude, não podemos usar as expressões "cima e baixo", como os antigos que acreditavam na Terra como centro de tudo o que há.
A cultura judaico-cristã criou uma idéia de vida após a morte localizando basicamente duas regiões opostas e intensas em suas finalidades: o céu, como localidade de prazer e bem-aventurança e o inferno, como local de penas e de terrível sofrimento.
Os judeus, e depois os cristãos, cultivavam uma idéia de vários céus sobrepostos. Seriam camadas onde se distribuíam, de acordo com seu merecimento, as almas dos mortos bem-aventurados.
É sobre este céu escalonado (em camadas como uma cebola) que tratarei amanhã.

¹ Falaremos sobre os extáticos em breve.

2. Primeiros passos...

Inicialmente, abordaremos um problema interessante e que está presente ao longo das obras kardequianas: O mundo espiritual.
Trarei alguns apontamentos sobre a visão do mundo espiritual apresentada antes de Allan Kardec e como ele aborda esse tema em suas obras.
Como é um tema que exige a compreensão de alguns conceitos, bem como de fatos históricos anteriores a Allan Kardec, estudaremos juntos esses conceitos e fatos.
Antes disso, para quem não teve contato algum com as obras de Allan Kardec segue abaixo uma lista para montar sua biblioteca de obras fundamentais para a compreensão do Espiritismo.

10. Caráter da Revelação espírita (opúsculo que reproduz o 1º capítulo da obra A Gênese)
12.REVISTA ESPÍRITAJORNAL. DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS

Hino Nacional da França (La Marseillaise)









Para quem quer conhecer o Espiritismo

Pensando nos leitores não-espíritas deste site e da Revista, os amigos do GEFE me convidaram a manter uma coluna.
Após um tempo sem publicar textos (mais ou menos 3 anos) me sinto mais à vontade para aceitar o convite e dividir minhas pesquisas e reflexões acerca do Espiritismo.
Tendo minha formação em História e mais de 10 anos de contato com o Espiritismo, entro na proposta do grupo de pensar historicamente e filosoficamente as obras kardequianas.
Visto que já existe um grande número de pensadores dedicados a escrever para espíritas, dedicarei o espaço cedido a mim para comunicar-me com não-espíritas interessados em estudar esta interessante ciência do século XIX.
Para qualquer curioso em História, principalmente quem se encanta com a Europa oitocentista, debruçar-se sobre os relatos e textos da época de nascimento do Espiritismo é uma experiência enriquecedora e, por isso, prazerosa.
De escrita profunda, mas didática e agradável, o sábio Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, 3/10/1804 - Paris, 31/03/1869), usa um pseudônimo para assinar suas obras espíritas: Allan Kardec.
Educador, tradutor e Magnetista, Allan Kardec produziu intensamente nos anos em que se dedicou à ciência por ele fundada.
De 1857 até 1869, Allan Kardec irá publicar mais de 20 obras sobre o tema (considerando cada encadernação anual de sua revista mensal como um livro). É nesse conjunto que podemos extrair a compreensão de sua ciência cujo objeto eram os Espíritos.
Entendermos sua obra e seu tempo será o objetivo de nossos encontros nesse espaço de cultura.
Deixem sugestões, questões, críticas... esse é o espírito de todo estudo proveitoso, de toda troca intelectual madura e sadia.
O espaço está aberto. Vamos juntos!

Cristian Macedo

Porto Alegre, 20 de setembro de 2010.
Entre as comemorações que evocam o 20 de setembro de 1835, marco da história rio-grandense.




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