Por que a História?



“O passado, quando com ele nos ocupamos, é presente.”
Livro dos Espíritos, item 242.



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Por que escolhemos a História como ciência para entendermos o Espiritismo? Abaixo seguem algumas razões para essa escolha:
1.  Por que a ciência histórica permite recolher das fontes disponíveis informações valiosas para a compreensão do período estudado.
2.  Por que, por ser uma ciência em construção (a História), sempre apresenta novas metodologias e abordagens.


3.  Por que nos faz entender que, por mais que queiramos reconstruir o passado integralmente, isso é impossível, visto que o passado inexiste. O que podemos fazer está dentro da relação documento-historiador. Isso inibe quaisquer devaneios ou invenções baseadas em convicções pessoais.
4.  Por que, por ser uma ciência, é feita sempre na busca da maior objetividade possível.
5.  Por que, em suas abordagens contemporâneas, ela abriu mão de messianismos, isto é, não possui missões sociais além de buscar uma aproximação com a verdade.
6.  Por que ela visa entender as modificações, os movimentos do homem e suas idéias ao longo do tempo. Visto que o Espiritismo está no tempo e “sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem”¹, ele está sob as “leis da História”.
7.  Por que a História não permite uma leitura anacrônica do Espiritismo, ou seja, os termos espíritas, suas propostas, seus problemas surgiram em determinado contexto e devem ser entendidos, dentro do possível, nesse contexto.
8.  Por que a História, em verdade, é história-problema. Não se faz História sem perguntas. Ao longo do tempo (e principalmente da segunda metade do século XX pra cá) esta ciência se notabilizou pelas perguntas bem elaboradas ao passado, aos documentos, às culturas, às mentalidades... E sabe-se que perguntas bem feitas são um ótimo ponto de partida para se obter boas respostas.
9.  Por que a História pesquisa e narra, recolhe e explica, no entanto, respeita os domínios de cada disciplina, cada ciência. É auxiliar no processo de construção de uma memória mais fiel aos fatos, à realidade vivida. Não discute se uma ciência tem ou não métodos eficazes, mas pode descrever esses métodos, narrar como foram recebidos pela comunidade, se tiveram êxito, se permaneceram, se mudaram e como foram essas mudanças.
10.               A História respeita a tradição, o folclore, a literatura e os mitos. Todavia, o historiador sabe que esses domínios da cultura humana não representam a verdade histórica. Apresentam uma face importante das comunidades, das nações, das etnias, pois são manifestações do imaginário e devem ser levados em conta.  Agora, o papel do profissional da História é buscar a verdade possível sobre o passado que é seu objeto. Quando se trata de Espiritismo essa tarefa torna-se mais difícil, pois é um ramo do conhecimento que foi inundado por mitos, fantasias e uma falsa tradição, onde muitas coisas reconhecidas hoje como “erros doutrinários” foram instituídos pelo próprio fundador, enquanto outras, negadas e até atacadas por Allan Kardec, tornaram-se procedimentos aceitos e “ensinados” por muitos de seus atuais seguidores.


¹ “...et que l’élaboration est lefait du travail de l'homme.”
KARDEC, Allan. La genese les miracles et les predictions selon le spiritisme. Paris : 1868.

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