9. Um Céu Infinito

A primeira grande obra de Allan Kardec (com este pseudônimo) é O Livro dos Espíritos, de 1857, com segunda edição em 1860.
Para entendermos  a diferença entre o mundo espiritual das religiões e o apresentado nas obras kardequiianas, podemos começar por dois tópicos deste livro (os negritos são meus):

Em que sentido se deve entender a palavra céu?

8. Fantasias nas narrações do mundo espiritual

 Extáticos, como Swedenborg era, têm uma capacidade de ver a realidade espiritual com sentidos diferentes dos sentidos corporais, visto que suas almas, segundo o Magnetismo Animal e o Espiritismo, estão emancipadas do corpo.
Ao estudar esse tema em seu último grande livro (a Gênese, Milagres e predições segundo o Espiritismo), o fundador do Espiritismo traz interessantes reflexões.
Para Allan Kardec:



7. Allan Kardec e Swedenborg

Após as citações relacionadas no post anterior, fica bem evidente a relação do céu e do inferno materializados da mentalidade popular com as descrições feitas por Swedenborg do céu, inferno e mundo espiritual vislumbrados em seus êxtases.
Em novembro de 1859, na Revista Espírita, editada por Allan Kardec, é publicado um diálogo de Allan Kardec com Swedenborg Espírito por meio da mediunidade.
Sobre a obra dele, em vida, Allan Kardec diz:

Clubland

Post original em Tweedland




Clubland ou o "País dos Clubes" situa-se em uma zona especifica de Londres.
O eixo principal é Pall Mall, o seu cruzamento com Waterloo Place e ainda a área abrangente como St. James Street.
Os Gentlemen's Clubs (não confundir com a mesma designação para clubes eróticos e locais menos recomendáveis) foram, e apesar de uma crise de sobrevivência de alguns, ainda são os locais de excelência da vida masculina britânica em sociedade.

6. Mundo espiritual de Swedenborg








Abaixo algumas passagens dos livros de Swedenborg. Foram retiradas de O Céu e o Inferno (O Céu, e suas maravilhas, e o Inferno, segundo o que foi ouvido e visto).





5. Os êxtases de Swedenborg






Swedenborg era um êxtatico, ou seja, fazia um estado alterado de consciência e adentrava, segundo ele, realidades espirituais.
Descreveu o Céu e o Inferno, além do que ele chamava o "mundo dos Espíritos", uma espécie de "local de espera" onde viviam os espíritos antes de irem a sua morada definitiva. 
Amanhã, farei uma série de citações das suas obras que tratam do mundo espiritual para termos uma visão panorâmica das suas idéias sobre o tema.
Essa visão nos dará condições de entender alguns motivos que levaram Allan Kardec a se opor às descrições feitas pelos extáticos dos locais espirituais.


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4. Céu em Camadas (Mundo espiritual segundo Allan Kardec - parte 1)


















A idéia de céus concêntricos suspensos sobre a Terra estava presente na antiguidade em diversas culturas como a persa e  a judaica. Numa realidade ainda longe da filosofia sofisticada e, ainda mais, da ciência que alargaria a visão da humanidade em relação ao Universo, o homem entendia a Terra como ambiente parado, estagnado, onde abaixo estaria o local para onde iriam as almas dos mortos em punição. Acima, os céus em camadas seriam as moradas dos eleitos. Cada céu guardaria um tipo de boa alma.
Não há um modelo somente. São muitas as perspectivas sobre estes céus. Para alguns, são sete céus (mais recentemente a idéia muçulmana) para outros, haveria apenas três (Paulo de Tarso fala em arrebatamento ao terceiro céu). 
Existiam céus para santos, céus para anjos, céus onde se elaborava o maná (o conhecido alimento celestial), sob a supervisão dos anjos...
Toda essa mitologia, volto a dizer, baseava-se numa visão de realidade onde a Terra era o centro de tudo e os mortos tinham o acima ou o abaixo como destinação. Simplificando (e muito, diga-se de passagem) os bons iam para os andares de cima, os maus iam para os de baixo.
Inevitavelmente, nessas culturas primeiras, as noções de penas ou recompensas, mesmo em uma vida que poderíamos chamar "espiritual" eram marcadas pelas sensações de dor ou prazer. 
Elaboraram-se céus e infernos de gozo e de sofrimento, ou seja, era ainda impossível, pelo que tudo indica, imaginar uma vida pós-morte sem os sentidos do corpo.
E quando se pensa em uma existência onde prazer e dor são imprescindíveis para caracterizar a recompensa ou a pena, a cópia do mundo material surge. 
Toda dor que se consegue imaginar infligir em um corpo, existia nos infernos.
Todo prazer que se possa imaginar obter pelo corpo, existia nos céus (até em céus menos moralistas, onde virgens esperavam os eleitos). 
As caldeiras e a escuridão infernal, contrastavam com os campos, jardins e bosques primaveris dos céus...
As roupas rotas, ou a nudez vergonhosa, opunha-se às vestes leves e alvas dos anjos e dos eleitos...
Comer, beber, dormir, ou não fazê-los são relatos comuns nas narrativas envolvendo o velho pós-morte. 
Como tempo, forjando-se o judaico-cristianismo, assimilando múltiplas culturas orientais e ocidentais, entre elas a egípcia, a persa, a grega, a romana, a dos "povos do Norte" e, obviamente a judaica, Céu e Inferno ganham características específicas. O Catolicismo, unindo teologia e cultura popular, Agostinho e Dante produz a mais famosa concepção de vida após a morte, reelaborando noções materiais, de localização e circusncrição,  de penas e gozos, mantendo uma infância mitológica que com o tempo se desgastou (mesmo com as invenções tardias do Purgatório e do Limbo - este último já desaparecido por decreto papal).
No Século das Luzes a Ciência e a Filosofia já estavam dando conta de extinguir a mitologia religiosa do Céu e do Inferno quando um sueco brilhante, Emanuel Swedenborg  (1688-1772) começa a descrever o mundo dos Espíritos, Céu e Inferno conforme ele viu.
"Conforme ele viu"?

   



3. Mundo Espiritual segundo Allan Kardec: Introdução

A idéia de mundo espiritual presente nas obras de Allan Kardec está, ao mesmo tempo, em um contexto de oposição ao mundo espiritual localizado e circunscrito da Religião (e dos extáticos¹ que pareciam querer comprová-la), bem como de oposição a idéias de penas e recompensas "materiais" como conseqüências de uma vida conforme ou não a padrões morais vigentes.
Allan Kardec é filho de uma época de efervescência cultural, de revoluções industrial e científica. A Astronomia já havia demonstrado que no universo, em sua infinitude, não podemos usar as expressões "cima e baixo", como os antigos que acreditavam na Terra como centro de tudo o que há.
A cultura judaico-cristã criou uma idéia de vida após a morte localizando basicamente duas regiões opostas e intensas em suas finalidades: o céu, como localidade de prazer e bem-aventurança e o inferno, como local de penas e de terrível sofrimento.
Os judeus, e depois os cristãos, cultivavam uma idéia de vários céus sobrepostos. Seriam camadas onde se distribuíam, de acordo com seu merecimento, as almas dos mortos bem-aventurados.
É sobre este céu escalonado (em camadas como uma cebola) que tratarei amanhã.

¹ Falaremos sobre os extáticos em breve.

2. Primeiros passos...

Inicialmente, abordaremos um problema interessante e que está presente ao longo das obras kardequianas: O mundo espiritual.
Trarei alguns apontamentos sobre a visão do mundo espiritual apresentada antes de Allan Kardec e como ele aborda esse tema em suas obras.
Como é um tema que exige a compreensão de alguns conceitos, bem como de fatos históricos anteriores a Allan Kardec, estudaremos juntos esses conceitos e fatos.
Antes disso, para quem não teve contato algum com as obras de Allan Kardec segue abaixo uma lista para montar sua biblioteca de obras fundamentais para a compreensão do Espiritismo.

10. Caráter da Revelação espírita (opúsculo que reproduz o 1º capítulo da obra A Gênese)
12.REVISTA ESPÍRITAJORNAL. DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS

Hino Nacional da França (La Marseillaise)









Para quem quer conhecer o Espiritismo

Pensando nos leitores não-espíritas deste site e da Revista, os amigos do GEFE me convidaram a manter uma coluna.
Após um tempo sem publicar textos (mais ou menos 3 anos) me sinto mais à vontade para aceitar o convite e dividir minhas pesquisas e reflexões acerca do Espiritismo.
Tendo minha formação em História e mais de 10 anos de contato com o Espiritismo, entro na proposta do grupo de pensar historicamente e filosoficamente as obras kardequianas.
Visto que já existe um grande número de pensadores dedicados a escrever para espíritas, dedicarei o espaço cedido a mim para comunicar-me com não-espíritas interessados em estudar esta interessante ciência do século XIX.
Para qualquer curioso em História, principalmente quem se encanta com a Europa oitocentista, debruçar-se sobre os relatos e textos da época de nascimento do Espiritismo é uma experiência enriquecedora e, por isso, prazerosa.
De escrita profunda, mas didática e agradável, o sábio Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, 3/10/1804 - Paris, 31/03/1869), usa um pseudônimo para assinar suas obras espíritas: Allan Kardec.
Educador, tradutor e Magnetista, Allan Kardec produziu intensamente nos anos em que se dedicou à ciência por ele fundada.
De 1857 até 1869, Allan Kardec irá publicar mais de 20 obras sobre o tema (considerando cada encadernação anual de sua revista mensal como um livro). É nesse conjunto que podemos extrair a compreensão de sua ciência cujo objeto eram os Espíritos.
Entendermos sua obra e seu tempo será o objetivo de nossos encontros nesse espaço de cultura.
Deixem sugestões, questões, críticas... esse é o espírito de todo estudo proveitoso, de toda troca intelectual madura e sadia.
O espaço está aberto. Vamos juntos!

Cristian Macedo

Porto Alegre, 20 de setembro de 2010.
Entre as comemorações que evocam o 20 de setembro de 1835, marco da história rio-grandense.




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Hino Nacional da França (La Marseillaise)









Artigos David Castilhos


1. 2009 - Ano da França no Brasil: O Legado Kardequiano

Hino Nacional da França (La Marseillaise)









Sobre a lógica do conhecimento de si mesmo

Versão em pdf (Clique aqui)

Cosme Massi

            Você acaba de adquirir uma casa antiga. Seu desejo é reformá-la. Para tanto, contrata um arquiteto que planejará a obra e um engenheiro que a executará, auxiliado por outros profissionais.
Em dado momento o engenheiro chama um pedreiro para orientá-lo sobre a reforma de uma das paredes da casa, estabelecendo com ele o seguinte diálogo:
― Esta parede é constituída, na sua intimidade, de uma madeira de excelente qualidade que precisa ficar à vista. Você deve trabalhar nela.
O que devo fazer? ― Pergunta o pedreiro.
― Deve retirar, com cuidado, todas as camadas que cobrem a madeira.
Como devo fazer?
― Você deve raspar as diversas camadas que cobrem a madeira, utilizando-se da talhadeira, da lixa de madeira e das demais ferramentas apropriadas para a raspagem dos revestimentos de tinta que cobrem a madeira.
            Alguns minutos após ter iniciado a tarefa que lhe foi ordenada, o pedreiro volta a falar com o engenheiro, perguntando-lhe:
É possível fazer? Estou diante de uma grande dificuldade. Descubro agora que esta parede esta coberta não apenas com demãos de tinta, mas também com uma grossa capa de concreto armado. Infelizmente não poderei executar a tarefa com as ferramentas que me foram dadas. As ferramentas não são adequadas. Precisarei de outras mais apropriadas para o trabalho.
― É verdade! ― Responde o engenheiro. Para que você possa executar a tarefa, novas ferramentas deverão ser utilizadas. Pegue lá no depósito a picareta, o marrão, a britadeira e tudo o mais que seja necessário para quebrar a camada de concreto. Se novas dificuldades surgirem, encontre maneiras de resolvê-las. Não desanimemos! O trabalho precisa ser feito.
            Mesmo munido de novas ferramentas, disposição e ânimo firme, o pedreiro resolve, antes de voltar ao trabalho, consultar o arquiteto. Passados alguns instantes, chama novamente o engenheiro e indaga-lhe:
Por que devo fazer? Para que todo este trabalho? A camada de concreto é espessa. O esforço despendido será muito grande e tomará muito tempo.
―Você deve executar a tarefa. É uma ordem. Além do mais, o que queremos é a estrutura interna de madeira, não esta coberta de concreto. Vamos! Mãos à obra. O tempo é curto.
―Você tem mesmo certeza de que devo fazer esta tarefa? Eu acabei de conversar com o arquiteto e ele me disse que esta parede vai ser derrubada. Ela não mais existirá nesta casa. Não será em vão meu esforço? De que adianta reformar algo que não vai continuar existindo. Não parece isto ilógico?
― Ah! Você tem razão. ― Concluiu o engenheiro. Eu me equivoquei. Não prestei atenção nesse detalhe fundamental. Obrigado! Trabalhemos na reforma das outras partes da casa que ficarão de pé.

Sobre o ensino da Doutrina Espírita: o ponto de vista kardequiano

Versão em pdf (clique aqui)


Sobre o ensino da Doutrina Espírita: o ponto de vista kardequiano[1]

“A convicção não se impõe.”[2]

Cosme Massi

I – Introdução


Ao utilizarmos a palavra ensino no título acima, o que queremos dizer? Em geral, empregamos a palavra ensinar para caracterizar a tarefa desempenhada pelos professores nas escolas e universidades. Há, portanto, uma estreita ligação entre a profissão de professor e a atividade caracterizada pelo verbo ensinar. Cabe observar, também, que as palavras professor e profissão têm uma origem comum no verbo professar: “preencher as funções inerentes a um cargo ou profissão, ensinar, lecionar, professorar”.
Ensinar, no sentido usual, significa dar aula, lecionar, atividades próprias dos professores. Será esse o sentido que Kardec atribui à palavra ensino, ao fazer referência ao ensino da Doutrina Espírita? Ou ele atribui um sentido especial a esta palavra, quando aplicada ao ensino da Doutrina Espírita?
Ao ensinar, o professor faz uso de determinada metodologia, passa tarefas, controla a freqüência e avalia o desempenho dos alunos. Deve-se fazer o mesmo no ensino da Doutrina Espírita? Deve o Centro Espírita, ao ensinar a Doutrina Espírita, proceder de forma análoga a uma escola ou universidade, controlando a freqüência às aulas e avaliando o desempenho dos alunos?
Essas são as principais questões que responderemos no item II, Sobre o uso de instrumentos formais de controle e avaliação da aprendizagem nos centros espíritas.
Como o tema em epígrafe é um tema próprio da Pedagogia, iremos, no item III, Espiritismo e “Pedagogia Espírita”, fazer uma análise do que, para alguns estudiosos, é denominada uma Pedagogia Espírita. Esse nosso texto não é um texto sobre pedagogia espírita. Ademais, denominar uma proposta com sendo uma Pedagogia Espírita, não faz dela uma legítima pedagogia espírita.
Por fim, no Item IV, A visão kardequiana sobre o ensino da Doutrina Espírita, faremos uma analise do capítulo III, Do Método, primeira parte de O Livro dos Médiuns. Mostraremos que é nesse capítulo que Kardec apresenta sua principal contribuição ao ensino da Doutrina Espírita. As respostas que apresentamos no item II são conseqüências dessa concepção kardequiana do que deve ser o ensino da Doutrina Espírita.

Cosme Massi


1.SOBRE O ENSINO DA DOUTRINA ESPÍRITA: 
O PONTO DE VISTA KARDEQUIANO  

2. SOBRE A LÓGICA DO CONHECIMENTO DE SI MESMO

Bandeira Nacional da França







A Bandeira Nacional da França (também conhecida como a tricolor ou bleu, blanc, rouge), tricolor em três faixas verticais (azul, branca e vermelha), simboliza a Revolução Francesa (1789), sendo que o azul representa o poder legislativo, branco o poder executivo e o vermelho o povo, os três "dividindo" igualmente o poder. Lembrando do lema francês, as cores representam também Liberdade (Liberté), Igualdade, (Égalité) e Fraternidade (Fraternité), na ordem da bandeira, "método" também usado na moeda francesa. Com vínculo à revolução e ao império, ela foi muito rejeitada inicialmente, sendo substituída por uma bandeira branca entre 1814 e 1830. A Revolução de 1830, conhecida também como Revolução de Julho, restabeleceu a antiga bandeira tricolor, que se consagrou definitivamente.




















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a Revolução francesa

Se a economia do mundo do século XIX foi formada principalmente sob a influência da revolução industrial britânica, sua política e ideologia foram formadas fundamentalmente pela Revolução Francesa. A Grã-Bretanha forneceu o modelo para as ferrovias e fábricas, o "explosivo econômico que rompeu com as estruturas sócio-econômicas tradicionais do mundo não europeu; mas foi a França que fez suas revoluções e a elas deu suas idéias, a ponto de bandeiras tricolores de um tipo ou de outro terem-se tornado o emblema de praticamente todas as nações emergentes, e a política europeia (ou mesmo mundial) entre 1789 e 1917 foi em grande parte a luta a favor e contra os princípios de 1789, ou os ainda mais incendiários de 1793. A França forneceu o vocabulário e os temas da política liberal e radical-democrática para a maior parte do mundo. A França deu o primeiro grande exemplo, o conceito e o vocabulário do nacionalismo. A França forneceu os códigos legais, o modelo de organização técnica e científica e o sistema métrico de medidas para a maioria dos países. A ideologia do mundo moderno atingiu as antigas civilizações que tinham até então resistido as idéias européias inicialmente através da influência francesa. Esta foi a obra da Revolução Francesa.
Jacques-Louis David (1748-1825) Title:
1791 Year:Le Serment du Jeu de paume Location: Musée national du Château de Versailles


Eric Hobsbawm no livro  A Era das Revoluções.




"...a primeira economia industrial de vulto"

Na teoria, as leis e as instituições comerciais e financeiras da Grã-Bretanha eram ridículas e destinadas antes a obstaculizar do que a ajudar o desenvolvimento económico; por exemplo, elas tornavam necessária a
promulgação de caros "decretos privados" do Parlamento toda vez que se desejasse formar uma sociedade anônima. A Revolução Francesa forneceu aos franceses - e, através de sua influência, ao resto do continente - mecanismos muito mais racionais e eficientes para tais propósitos. Na prática, os britânicos se saíram perfeitamente bem e, de fato, consideravelmente melhor que seus rivais. Deste modo bastante empírico, não planificado e acidental, construiu-se a primeira economia industrial de vulto. Pelos padrões modernos, ela era pequena e arcaica, e seu arcaísmo ainda marca a Grâ-Bretanha de hoje.


Mão-de-obra

O primeiro e talvez mais crucial fator que tinha que ser mobilizado e transferido era o da mão-de-obra, pois uma economia industrial significa um brusco declínio proporcional da população agrícola (isto é, rural) e um brusco aumento da população não agrícola (isto é, crescentemente urbana), e quase certamente (como no período em apreço) um rápido aumento geral da população, o que portanto implica, em primeira instância, um brusco crescimento no fornecimento de alimentos, principalmente da agricultura doméstica - ou seja, uma "revolução agrícola". 


o principal público investidor





Mas o grosso das classes médias, que constituíam o principal público investidor, ainda era dos que economizavam e não dos que gastavam, embora haja muitos sinais de que por volta de 1840 eles se sentissem suficientemente ricos tanto para gastar como para investir. Suas esposas se transformaram em "madames" instruídas pelos manuais de etiquetas que se multiplicavam neste período, suas capelas começaram a ser reconstruídas em estilos grandiosos e caros, e começaram mesmo a celebrar sua glória coletiva construindo monstruosidades cívicas como esses horrendos town halls imitando os estilos gótico e renascentista, cujo custo exato e napoleônico os historiadores municipais registraram com orgulho.

Eric Hobsbawm no livro  A Era das Revoluções.

GUIA PARA CAVALHEIROS DO SÉCULO XIX

publicado originalmente aqui
Por Leonardo Perin





As seguintes linhas se empenharão em fornecer breves noções do que era esperado de um Cavalheiro no século XIX, conforme apresentados em livros de etiqueta, com o acréscimo de relatos de como eles se comportavam realmente, de acordo com o apresentado em comentários de observadores sociais.

O século XIX foi o tempo de um enorme fluxo econômico e social. A revolução industrial criou uma economia de consumo e uma classe média populosa que era sinônimo de consumidores de bens de consumo. Essa nova classe média sentia que eles haviam alcançado um dos mais altos planos sociais da existência. As normas sociais da fazenda e do interior não serviam mais para a família de um homem que tinha feito seu caminho no mundo.

A nova classe média queria adquirir maneiras apropriadas, assim como eles podiam comprar casa em um determinado estilo, roupas da moda ou as ultimas bugigangas domésticas. A partir dos anos de 1850, o mercado foi tomado por livros de etiqueta que guiariam as pessoas que nunca tinham sido expostas a tais coisas, às regras de uma sociedade polida. Em muitos casos, eles também não descreviam o século XIX como ele realmente era, mas como os autores esperavam que fosse.

Ironicamente, essas regras foram baseadas em normas da Aristocracia da sociedade do século XVIII no qual a classe média havia suplantado e tornado obsoleta.

Moeda com Napoleão III

10 Centimes Napoleao III (Cabeça Nua)
Bronze
10 g
Criaçao lei de 6 Maio 1852
Retirada lei de 31 Outubro 1934
Strasburgo
4.630.090 exemplares

Quer conhecer as moedas do período de Napoleão III? Acesse o link

Uma ciência filosófica - Janeiro de 1858

Talvez nos contestem a qualificação de ciência, que damos ao Espiritismo. Certamente não teria ele, em nenhum caso, as características de uma ciência exata, e é precisamente aí que reside o erro dos que o pretendem julgar e experimentar como uma análise química ou um problema matemático; já é bastante que seja uma ciência filosófica. Toda ciência deve basear-se em fatos, mas os fatos, por si sós, não constituem a ciência; ela nasce da coordenação e da dedução lógica dos fatos: é o conjunto de leis que os regem. Chegou o Espiritismo ao estado de ciência? Se por isto se entende uma ciência acabada, seria sem dúvida prematuro responder afirmativamente; entretanto, as observações já são hoje bastante numerosas para nos permitirem deduzir, pelo menos, os princípios gerais, onde começa a ciência.

Allan Kardec
Introdução da Revista Espírita, Janeiro de 1858.

ALLAN KARDEC NA CONSTRUÇÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA

GILBERTO ALLIEVI – gilbertoa@uol.com.br

                       
Defendemos, em outro artigo, a tese que Allan Kardec é o Autor da Doutrina Espírita afirmando, em conclusão, que denominá-lo de Mestre e Autor não lhe seria prestar nenhum favor, mas sim atestar sua extraordinária missão. Pois bem. Queremos agora apontar alguns elementos demonstrando que a construção do Espiritismo foi obra sua, a ponto de ele mesmo  corrigir erros que  teriam por fonte o próprio mundo espiritual a exemplo da constatação de que a alma se uniria ao corpo “no momento em que a criança vê e respira”. É o que se vê da primeira edição de O Livro dos Espíritos:

Linhas de ferro, trens e especulação

Nas primeiras duas décadas das ferrovias (1830-50), a produção de ferro na Grã-Bretanha subiu de 680 mil para 2.250.000 toneladas, em outras palavras, triplicou.
A produção de carvão, entre 1830 e 1850, também triplicou de 15 milhões de toneladas para 49 milhões. Este enorme crescimento deveu-se prioritariamente à ferrovia, pois em média cada milha de linha exigia 300 toneladas de ferro só para os trilhos. " Os avanços industriais, que pela primeira vez tornaram possível a produção em massa de aço, decorreriam naturalmente nas décadas seguintes. 

revista espírita histórica e filosófica

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Revista 05

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Olá, amigos!

Mais uma número da nossa Revista trazendo interessantes temas para reflexão: Inicialmente publicamos um material que fiz sobre proselitismo e pequenos grupos, a fim de pensarmos como Allan Kardec lidava com estas questões. Normalmente, os fundadores de ciências, ou filosofias fazem um enorme esforço para que elas se propaguem largamente, através de propaganda massiva ou grandes grupos de estudiosos e divulgadores. Allan Kardec, pelo contrário, acreditava que a divulgação do Espiritismo se daria em pequenos grupos e sem que estes tivessem o foco na propaganda, mas sim nas pesquisas e estudos.
O artigo especial desse número é de autoria do pensador espírita PAULO DA SILVA NETO SOBRINHO, cujo título é: Espirito de verdade, quem seria ele?. Devido ao número de páginas de nossa revista, o artigo
foi distribuído em duas partes. Mas para quem desejar lê-lo na íntegra pode acessá-lo na internet, na página do autor. Para isso inserimos o link ao final do artigo aqui, em nossa revista. Aproveitamos este artigo para homenagearmos o grande ilustrador do século XIX, Gustave Doré, publicando detalhes de algumas de suas ilustrações. 
Por fim, o tema Mesas girantes retorna a nossa Revista. A segunda parte do artigo do David traz Victor Hugo e seu período em Jersey, onde teve contato com os fenômenos das mesas. 
Para fechar a Revista, inserimos como documento aos interessados, um artigo de Camille Flammarion. Boa leitura e, como sempre, aguardamos seu contato!

Maria Carolina Gurgacz
filosofiaespirita@gmail.com

Revista Espírita Histórica e Filosófica 1







Uma nova revista


Neste ano de 2009 duas comemorações incentivaram o surgimento dessa nova revista: 150 anos de “O que é o espiritismo? e o Ano da França no Brasil.
A Revista Espírita, Histórica e Filosófica surge como um meio de divulgar os resultados de pesquisas históricas referentes ao Espiritismo.
Fundada em Paris por Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, em 1857 com a publicação de O Livro dos Espíritos, esta ciência produziu um rico material sobre a relação do homem com o os chamados Espíritos, bem como sobre as consequências dessa relação.
Por ser uma “ciência filosófica”, como observou certa vez seu fundador, abriremos espaço para análises dos conceitos apresentados por ela. Para esse fim sugerimos também o site www.geak.com.br, onde existem gravações em áudio de estudos realizados por Cosme Massi, doutor em Lógica e Filosofia da Ciência, profundo conhecedor das obras de Allan Kardec. 
Obviamente esta revista não terá larga circulação, restringindo-se a amigos que compartilham da curiosidade investigativa.
Convidamos a quem se interessar por seu conteúdo a fazer sua assinatura, além de, é claro, manter contato conosco.



1. As edições de O que é o Espiritismo?  (150 anos da obra) 
2. Sobre a ciência espírita no tempo (As mudanças que Allan Kardec fez ao longo do tempo em sua doutrina.) 

3. ALLAN KARDEC E O DIVÓRCIO (O Espiritismo superou o  Cristianismo?)
4. Documento histórico: Verbete Allan Kardec do dicionário de Maurice Lachatre (1866).