7. Allan Kardec e Swedenborg

Após as citações relacionadas no post anterior, fica bem evidente a relação do céu e do inferno materializados da mentalidade popular com as descrições feitas por Swedenborg do céu, inferno e mundo espiritual vislumbrados em seus êxtases.
Em novembro de 1859, na Revista Espírita, editada por Allan Kardec, é publicado um diálogo de Allan Kardec com Swedenborg Espírito por meio da mediunidade.
Sobre a obra dele, em vida, Allan Kardec diz:
"Mesmo rendendo justiça ao mérito pessoal de Swedenborg, como cientista e como homem de bem, não nos podemos constituir defensores de doutrinas que o mais elementar bom-senso condena. Ele cometeu um equívoco dificilmente  perdoável, não obstante sua experiência das coisas do mundo oculto: o de aceitar cegamente tudo quanto lhe era ditado, sem o submeter ao controle severo da razão. Se tivesse pesado maduramente os prós e os contras, teria reconhecido princípios irreconciliáveis com a lógica, por menos rigorosa que fosse. Hoje, provavelmente não cairia na mesma falta, porquanto disporia de meios para julgar e apreciar o valor das comunicações de além-túmulo."

O Espírito também apresenta uma crítica ao que produziu em vida:
"A minha moral espírita e a minha doutrina não estão isentas de grandes erros, que hoje reconheço. Assim, as penas não são eternas; vejo que Deus é muito justo e muito bom para punir eternamente a criatura que não tem força suficiente para resistir às paixões. O que eu também dizia do mundo dos anjos, que é o que pregam nos templos, não passava de ilusão dos meus sentidos; acreditei vê-lo, agia de boa-fé, mas enganei-me."
O negrito que usamos para grifar o texto citado serve para destacar um ponto essencial em nossa reflexão e que é um ponto do argumento de Allan Kardec sobre a fragilidade das descrições do mundo espiritual feitas pelos extáticos. 
Os extáticos se enganam. E a explicação deste engano, fruto de uma ilusão dos sentidos, trarei amanhã, recordando escritos kardequianos.  

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