4. Céu em Camadas (Mundo espiritual segundo Allan Kardec - parte 1)


















A idéia de céus concêntricos suspensos sobre a Terra estava presente na antiguidade em diversas culturas como a persa e  a judaica. Numa realidade ainda longe da filosofia sofisticada e, ainda mais, da ciência que alargaria a visão da humanidade em relação ao Universo, o homem entendia a Terra como ambiente parado, estagnado, onde abaixo estaria o local para onde iriam as almas dos mortos em punição. Acima, os céus em camadas seriam as moradas dos eleitos. Cada céu guardaria um tipo de boa alma.
Não há um modelo somente. São muitas as perspectivas sobre estes céus. Para alguns, são sete céus (mais recentemente a idéia muçulmana) para outros, haveria apenas três (Paulo de Tarso fala em arrebatamento ao terceiro céu). 
Existiam céus para santos, céus para anjos, céus onde se elaborava o maná (o conhecido alimento celestial), sob a supervisão dos anjos...
Toda essa mitologia, volto a dizer, baseava-se numa visão de realidade onde a Terra era o centro de tudo e os mortos tinham o acima ou o abaixo como destinação. Simplificando (e muito, diga-se de passagem) os bons iam para os andares de cima, os maus iam para os de baixo.
Inevitavelmente, nessas culturas primeiras, as noções de penas ou recompensas, mesmo em uma vida que poderíamos chamar "espiritual" eram marcadas pelas sensações de dor ou prazer. 
Elaboraram-se céus e infernos de gozo e de sofrimento, ou seja, era ainda impossível, pelo que tudo indica, imaginar uma vida pós-morte sem os sentidos do corpo.
E quando se pensa em uma existência onde prazer e dor são imprescindíveis para caracterizar a recompensa ou a pena, a cópia do mundo material surge. 
Toda dor que se consegue imaginar infligir em um corpo, existia nos infernos.
Todo prazer que se possa imaginar obter pelo corpo, existia nos céus (até em céus menos moralistas, onde virgens esperavam os eleitos). 
As caldeiras e a escuridão infernal, contrastavam com os campos, jardins e bosques primaveris dos céus...
As roupas rotas, ou a nudez vergonhosa, opunha-se às vestes leves e alvas dos anjos e dos eleitos...
Comer, beber, dormir, ou não fazê-los são relatos comuns nas narrativas envolvendo o velho pós-morte. 
Como tempo, forjando-se o judaico-cristianismo, assimilando múltiplas culturas orientais e ocidentais, entre elas a egípcia, a persa, a grega, a romana, a dos "povos do Norte" e, obviamente a judaica, Céu e Inferno ganham características específicas. O Catolicismo, unindo teologia e cultura popular, Agostinho e Dante produz a mais famosa concepção de vida após a morte, reelaborando noções materiais, de localização e circusncrição,  de penas e gozos, mantendo uma infância mitológica que com o tempo se desgastou (mesmo com as invenções tardias do Purgatório e do Limbo - este último já desaparecido por decreto papal).
No Século das Luzes a Ciência e a Filosofia já estavam dando conta de extinguir a mitologia religiosa do Céu e do Inferno quando um sueco brilhante, Emanuel Swedenborg  (1688-1772) começa a descrever o mundo dos Espíritos, Céu e Inferno conforme ele viu.
"Conforme ele viu"?

   



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