GUIA PARA CAVALHEIROS DO SÉCULO XIX

publicado originalmente aqui
Por Leonardo Perin





As seguintes linhas se empenharão em fornecer breves noções do que era esperado de um Cavalheiro no século XIX, conforme apresentados em livros de etiqueta, com o acréscimo de relatos de como eles se comportavam realmente, de acordo com o apresentado em comentários de observadores sociais.

O século XIX foi o tempo de um enorme fluxo econômico e social. A revolução industrial criou uma economia de consumo e uma classe média populosa que era sinônimo de consumidores de bens de consumo. Essa nova classe média sentia que eles haviam alcançado um dos mais altos planos sociais da existência. As normas sociais da fazenda e do interior não serviam mais para a família de um homem que tinha feito seu caminho no mundo.

A nova classe média queria adquirir maneiras apropriadas, assim como eles podiam comprar casa em um determinado estilo, roupas da moda ou as ultimas bugigangas domésticas. A partir dos anos de 1850, o mercado foi tomado por livros de etiqueta que guiariam as pessoas que nunca tinham sido expostas a tais coisas, às regras de uma sociedade polida. Em muitos casos, eles também não descreviam o século XIX como ele realmente era, mas como os autores esperavam que fosse.

Ironicamente, essas regras foram baseadas em normas da Aristocracia da sociedade do século XVIII no qual a classe média havia suplantado e tornado obsoleta.

Essas maneiras do século XIX, como expressas nos livros de etiqueta, não contém muitos rituais sociais elaborados que pareceriam um pouco estranhos para nós modernos, mas a vasta maioria do espaço desses livros é devotada ao que nos pareceriam ser regras do senso comum como: “Não mastigue com a boca aberta”, “não interrompa as pessoas”, ou “não seja um estorvo quando você é visita”. Duas coisas podem ser tiradas disto: Primeiro, deveriam existir muitas pessoas às quais faltava a educação básica e que necessitavam que fosse dito tais coisas, e segundo, se você desejasse parecer com um refinado cavalheiro do século XIX, bastaria apenas fazer aquilo que sua mãe lhe ensinou, e você estaria a mais de meio passo de ser um cavalheiro completo. Talvez esse guia lhe ajude a dar o outro passo restante.

As referências desse artigo foram retiradas de livros de etiqueta do século XIX digitalizadas e disponibilizadas no site de obras digitais fora de catálogo Project Gutenberg. Tiramos também a excelente página do Diário Intimo do Filósofo, Poeta e Crítico Suiço Henri-Frédéric Amiel.
"Que é em definitivo um cavalheiro? É um homem livre e bem educado, existindo por si mesmo e sabendo fazer-se respeitar. É diferente do homem de boa sociedade, do homem de boas maneiras, mesmo do homem de honra: as maneiras, a linguagem, a polidez não bastam. São lhes necessárias, ademais, a independência e a dignidade. (...)– em suma, o cavalheiro é o tipo inglês do homem acabado. (...)
O verdadeiro cavalheiro é ou deve mostrar-se acima de qualquer coação; não tem senhor e não age senão por condescendência ou por dever. Homem algum não tem nada a ordenar-lhe, e quando obedece, é à lei impessoal, ou à palavra dada, ou ao contrato aceito, em suma, a si mesmo que obedece, ao que obedece justo, eqüitativo, e não a um despotismo qualquer.(...)
O cavalheiro é decididamente o homem livre, o homem mais forte do que as cousas, sentindo que a personalidade suplanta todos os atributos acessórios de fortuna, de saúde, de categoria, de poder, etc..., O cavalheiro é o homem dono de si mesmo, que se respeita e se faz respeitar. Sua essência é, pois, a soberania interior.(...)
É um caráter que se possui, uma força que se governa, uma liberdade que se afirma e se mostra e se regula sobre o tipo da dignidade. Esse ideal é mais moral do que intelectual. Mas do respeito a si mesmo derivam mil cousas, tais como o cuidado da própria pessoa, da linguagem, das maneiras, a vigilância do corpo e da alma, o domínio dos instintos e das paixões, a necessidade de bastar-se a si mesmo;
Sua polidez é, pois, não humana e geral, mas toda individual e apropriada as pessoas."
(Diário de Henri Amiel, 6 de abril de 1866.)
"O verdadeiro cavalheiro é aquele que foi formado segundo o mais alto modelo de qualidade – Suas qualidades não dependem de como se veste ou somente de suas maneiras, mas sim de seu valor moral – Muito menos de suas posses mais acima de tudo de suas qualidades pessoais."




Lares felizes e os corações que os compõe, 1882.

“Os antigos diziam que levam duas gerações para se fazer um cavalheiro, isso tem sido refutado nos dias de hoje, em que se torna mais fácil cobrir-se de boas maneiras em um curto espaço de tempo”




O correto uso social, 1903

É dever de um cavalheiro saber cavalgar, atirar, lutar esgrima, Box, nadar, remar e dançar. Ele deve ser natural. Se atacado, um homem deve saber defender-se a si próprio, e também defender as damas que estejam em sua companhia.
Regras de etiqueta e cultura doméstica. 1886

O Comportamento de um Cavalheiro

"Desajeitamento trai o desejo de se construir um bom lar. Um homem nunca deve esparramar-se na cadeira, esticar suas pernas, esfregar as pernas, ou roer as unhas. Um cavalheiro possui mais liberdade que uma dama. Ele pode sentar-se com a perna cruzada se desejar, mas não deve apoiar os pés sobre o joelho, ou sentar-se com os joelhos muito afastados. Ao indicar um objeto, mova a mão inteira ou a cabeça, mas nunca aponte com o dedo. Tudo deve ser silencioso e gracioso, tanto ao sentar-se quanto ao levantar-se."
Regras de etiqueta e cultura doméstica, 1886.

"Boas maneiras são a melhor carta de apresentação entre estranhos. Civilidade, refinamento e cavalheirismo são passaportes para corações e lares. Enquanto inabilidade, grosseria e aspereza encontram portas trancadas e corações fechados."




Nosso Comportamento, 1881.

"Nunca coce a cabeça, palite os dentes, limpe as unhas, ou pior de tudo, limpe o nariz ou o ouvido perante outras pessoas. Todas essas coisas são asquerosas. Cuspa o mínimo possível e nunca sobre o chão.
Se você está indo à presença de damas evite cebolas, alho, álcool e tabaco."




A arte do bom comportamento, 1845.

"É uma grande habilidade caminhar como um cavalheiro – Isto é, livre de um ar desajeitado, espreguiçando-se, ou andar se balançando feito um palhaço ou mesmo dançando. Em resumo, nada mais que ser um cavalheiro para ter o ar e o andar de um."




Manual de Martine, 1866.

"Um cavalheiro nunca se senta com seu chapéu na presença de damas seja por um minuto sequer. Naturalmente tão forte é à força do hábito que um cavalheiro removerá inconscientemente seu chapéu ao entrar em uma sala de jantar ou sala íntima, mesmo se não houver ninguém presente. Pessoas que se sentam nas casas com seus chapéus na cabeça são forte suspeitas de terem passado boa parte de seu tempo em botequins ou lugares similares."




Manual de Martine, 1866.

Cavalheiros Na Presença de Damas
“Chesterfield diz: ‘Civilidade é particularmente um dever que se tem à todas as mulheres; e lembra, que provocação qualquer não é justificativa para que um homem não seja delicado com todas elas; e o maior dos homens seria tido na conta de bruto se alguma vez não tratou sem a devida educação uma mulher. Essa é uma obrigação devida ao sexo feminino, e é a única proteção que elas têm contra a nossa força, que é maior que a delas; nem tampouco tal tipo de comportamento é permitido às mulheres; é permitido a um homem, sem covardia, que ele diga à uma mulher que ela é ou mais bonita ou mais inteligente do que ela realmente é.’”




Manual de Martine, 1866.

“Quando entrar num coletivo, uma dama deve deixar a porta aberta. É a ela permissível que tome o lugar do homem que se levantou para fechar a porta.”
Regras de conduta de um cínico, 1905

“Um cavalheiro deve ajudar a uma dama a atravessar uma rua movimentada, ou a descer de um coletivo ou de um carro, sem esperar as formalidades de uma apresentação. Quando o serviço tiver sido realizado, ele deve levantar seu chapéu, saudá-la e seguir seu caminho.”
Manual de Formas Hill, 1873

“Passando por uma porta, um cavalheiro a mantém aberta para que passe uma dama, mesmo que ele nunca a tenha visto antes. Ele também permite que a dama siga na frente quando se sobe escadas e a precede quando as desce. ”
Sociedade polida em casa e em toda parte, 1891

Não passe a frente de uma dama em um teatro ou em um concerto. Sempre que possível ceda seu lugar à ela. Não se sente quando ela estiver de pé, sem oferecer a ela seu lugar. Pense não somente em sua facilidade, mas também no conforto daqueles que o cercam.




Manual de Martine, 1866.

Não é considerado polido e respeitoso fumar na presença de damas, mesmo que elas gentilmente permitam.
Manual de Martine, 1866.

Se você encontra uma dama de seu conhecimento na rua, cabe que ela o perceba primeiro, a menos que vocês sejam muito íntimos. A razão é que se você se curva a uma dama primeiro, ela não teria outra escolha a não ser de lhe cumprimentar, e não haveria saída para isso; mas se você permite que ela lhe cumprimente primeiro, como um cavalheiro você não pode deixar de cumprimentá-la.
Sugestões de etiqueta, 1836

“Um cavalheiro remove sempre seu chapéu quando entra em um recinto em que haja damas. Quando ele encontra uma dama conhecida dele, deve este levantar seu chapéu graciosamente...”




Sociedade polida em casa e em toda parte, 1891

Deve-se pedir que quem esteja sentado ceda o lugar para uma dama em um teatro lotado?




“A isto, nós devemos responder que, se a gentileza de um cavalheiro que estiver sentado não tomar parte nesse sentido, é grosseria pedir que se faça. Uma dama é uma dama, isso é verdade; mas se ela não pode chegar cedo o suficiente para conseguir um bom lugar, ela não poderia esperar que os espectadores que o fizeram devam passar inconveniências por sua culpa.”
O livro das damas de Gody, Jan 1850

“...lembre-se também que uma mulher realmente bem educada não irá agradecê-lo por serviços que você tenha prestado sem que ela tenha pedido, a menos que, de fato, tenha havido uma evidente violação de decoro. Em pequenos assuntos, as damas são tanto hábeis quanto desejosas de tomarem conta de si próprias, e preferirão que se permita que elas oprimam seu infeliz agressor de sua própria maneira”.




Sugestões de etiqueta, 1836

Cavalheiros à mesa
O que há de errado nessa foto?




- O pai não usa seu paletó à mesa;
- Ele lê o jornal durante a refeição
- Com certeza ele é um péssimo pai.

Não há outro lugar que a deseducação ou a falta dela em um homem fique mais evidente do que à mesa. Algumas regras parecem ser, no entanto, um tanto pitorescas, mas a maioria de regras à mesa do século XIX parece ser ainda útil nos dias de hoje. As pessoas ainda não gostam quando você sorve ruidosamente a sua sopa, ou pulveriza a comida falando com boca cheia.
“Nada revela melhor um homem bem educado do que o modo adequado de se comer. Um homem pode saber vestir-se muito bem, e sustentar-se toleravelmente em uma conversação, entretanto, se ele não for perfeitamente “au fait”, o jantar irá traí-lo.”




Sugestões de etiqueta, 1836

Maneiras a parte, mas nem tudo correu muito bem às mesas bem educadas. Numerosos comentários fazem perceber a ausência dos maridos à mesa doméstica: a recusa em se conversar enquanto come, e a tendência de se comer rapidamente revelam tais fatos. É de se notar que casos de indigestão à época eram considerados epidêmicos.
Algumas poucas Regras:
- Não brinque com os talheres, nem esmigalhe o pão.




- Nunca apóie seus cotovelos na mesa, ou sente-se muito longe dela.
- Não fale alto ou ruidosamente.
- Mantenha conversação agradável à mesa.
- Nunca se balance na cadeira nem à mesa nem em qualquer outro lugar.
- Não fale quando estiver com a boca cheia.
- Não faça ruídos enquanto estiver mastigando.
- Não abra a boca enquanto estiver mastigando, mas tente manter os lábios fechados. Não é necessário mostrar às pessoas como você mastiga sua comida.
- Não dê mostras de que encontrou algo desagradável em sua comida.
- Não parta o pão dentro da sua sopa, nem a misture com os farelos. É de muito mau gosto misturar a comida no prato.
- Nunca deixe a mesa antes do resto da família ou dos convidados sem pedir licença ao anfitrião ou anfitriã.
- Tome a sopa pelo lado da colher e sem ruídos.
- O garfo serve somente para levar os alimentos à boca, exceto quando uma colher se faz necessária para líqüidos.
- Ostras devem ser comidas com a ajuda de um garfo.
- Se você deseja ser servido de mais chá ou café, ponha sua xícara sobre o pires.
- Chá ou café nunca devem ser postos no pires para esfriar, mas sim bebericados da xícara.
- se um prato é oferecido a você, sirva-se primeiro e depois sim o passe.
Regras de etiqueta e cultura doméstica, 1886

- Nunca permita que manteiga, sopa ou qualquer outra comida permaneça nos seus bigodes.
- Nunca use luvas à mesa, a menos que suas mãos por um motivo especial não devam ser vistas.
- Nunca ao servir alguém encha o prato nem as force a comer pratos que elas recusaram.
- Seja discreto ao remover cabelos, insetos ou qualquer coisa desagradável do seu prato. Coloque-as silenciosamente na borda do seu prato.
Manual de Formas Hill, 1873

- Coma queijo com um garfo e não com uma faca.




- Faça seus pedidos aos empregados em voz baixa.
- Parta seu pão e não os corte.
- Coma as frutas com garfos e facas de prata.
- Se preferir, pegue os aspargos com os dedos, Azeitonas e alcachofras são comidas sempre dessa forma.
- Se um prato é posto diante de você e não deseja come-lo, então não o toque.
- Não cabe a você chamar a atenção dos empregados por alguma conduta inapropriada, isso cabe aos anfitriões.
- Um cavalheiro deve ajudar a uma dama, a qual ele acompanhou à mesa, em tudo o que ela desejar; mas é inapropriado que ele ofereça ajuda à outras damas que já possuam companhia.
- Use o guardanapo somente para a boca. Nunca o use para o nariz, rosto ou qualquer outra parte.
- é muito rude palitar seus dentes à mesa. Se for necessário fazer, que o faça cobrindo sua boca com um guardanapo.
Regras de etiqueta e cultura doméstica, 1886

“A um sinal da anfitriã. As damas todas se levantam, e dirigem-se para a sala de visitas, deixando os cavalheiros por suas próprias contas. Mas é um saudável sinal para que os cavalheiros logo as acompanhem. Na França os todos os cavalheiros e damas deixam a mesa de jantar juntos, assim como fazem por aqui, em um jantar informal ou de família.”




Sociedade polida em casa e em toda parte, 1891

“...Com exceção da dança, a qual é completamente limitada a solteiros de ambos os sexos, todas as reuniões de homens realizam-se na ausência de mulheres. Eles jantam, jogam cartas e fazem saraus, ceiam, todos em grande festa, mas sem mulheres.”




Fanny Trollope, Maneiras domésticas dos americanos. 1832

“A companhia permanece muito pouco à mesa, e fala parcamente, sequer uma palavra. Eles realmente não se dão tempo para fazer suas refeições de forma apropriada, mas a devoram pelando e quase sem mastigar, no entanto, ninguém tem nada para fazer quando a refeição termina. Parecem que criaram o hábito de considerar tudo como se fossem negócios, e, entretanto, fazem tudo com o mais extremo desprezo.”




Diário de uma dama ao redor do mundo, Ida Pfeiffer, 1855

Cavalheiros durante cumprimentos e apresentações

Para encontros casuais você poderá apenas curvar-se sem a necessidade de dizer uma palavra; mas para aqueles nos quais você está entre conhecidos, grande cordialidade é obrigação. Um cumprimento deve sempre ser respondido, mesmo a um inimigo é cortesia responder em seu reconhecimento.




Manual de Formas Hill, 1873

“Entre cavalheiros, uma inclinação de cabeça, um gesto com a mão, ou um mero tocar o chapéu já é suficiente; mas ao curvar-se a uma dama, deve-se retirar o chapéu da cabeça;”
Nosso Comportamento, 1881

“Ao encontrar uma dama é opcional da parte dela parar para conversar. Se o cavalheiro tem algo a dizer à ela, ele não deve fazê-la parar, mas acompanhá-la enquanto ela anda até que se tenha dito tudo o que se queria dizer, quando então ele deve partir após curvar-se e tirar o chapéu.”




Nosso Comportamento, 1881

“Deve-se sempre cumprimentar damas conhecidas na rua, seja apenas curvando-se ou com uma saudação, e um cavalheiro deve sempre tirar seu chapéu. Se elas pararem para falar, não é obrigatório que apertem as mãos. Aperto de mãos [entre damas e cavalheiros] não é proibido, porém, na maioria dos casos, é evitado em público.”




Nosso Comportamento, 1881

“Se...você é apresentado a uma pessoa a qual você não deseja dar confiança, você pode simplesmente cumprimentá-la formalmente quando a encontra, o que, por si só, não dá margens à confiança excessiva; mas o cumprimento é indispensável, pois não se pode ser considerado um cavalheiro aquele que passa com olhar vago por alguém ao qual já foi apresentado...O que é chamado de ‘ignorar’ o outro nunca é praticado por cavalheiros ou damas, exceto em alguns extraordinários exemplos de má conduta da parte de alguns indivíduos. ”




Manual de Martine, 1866.

Cavalheiros no Salão de Baile

Damas e Cavalheiros estão no uso de seu melhor comportamento dentro de um Salão de Baile. Os modos tornam-se mais formais e as reverências mais profundas.
Aos homens espera-se que sejam extremamente ativos em um Salão de Baile e deixem a total passividade por conta das damas; que não devem convidar os cavalheiros para dançar, e a quem não convêm serem vistas na área de dança sem qualquer companhia. Damas devem ser levadas de seus lugares para a área de dança por um cavalheiro, e lá elas devem aguardar até que algum cavalheiro lhes dirija a palavra, pedindo para dança e levando-as até o ponche.
“Os cavalheiros devem sempre tomar a iniciativa de convidar a dama a qual eles desejam acompanhar, ir com ela até o salão, acompanhá-la até o vestíbulo, e esperá-la até que ela esteja pronta para dirigir-se à sala de dança... convidá-la para a primeira dança, e acompanhá-la à ceia quando ela estiver pronta para ir. Ele deve observar e prestar atenção para que ela tenha sempre com quem dançar durante toda a noite. Após chegar em casa, se a dama convidá-lo para entrar, ele deve recusar. É obrigação que ele lhe envie um cartão e flores após dois dias.”
“Um cavalheiro deve sempre caminhar ao lado da dama e nunca tentar ir á sua frente. Se por um acidente ele pisar em seu vestido, ele deve rogar por seu perdão, e se por grande desajeitamento ele rasgá-lo, deve oferecer-se para levá-la ao vestíbulo para que ele possa ser reparado. Se no salão de baile uma dama pedir qualquer favor que seja a um cavalheiro, tal como verificar se o carro já está aguardando, ele não deve sob nenhuma circunstância recusar seus pedidos... cavalheiros bem educados irão buscar alguém que não esteja dançando no momento para fazer companhia à dama.”
Regras para o salão de Baile

Um homem, que sabe dançar e que se recusa a fazer, deve ausentar-se de um baile. Fala ruidosa e risadas estrepitantes são contrárias às regras de etiqueta. Num baile, nunca esqueça nem se engane de companhia. Se tal ocorrer, desculpas naturalmente devem ser oferecidas e prontamente aceitas.
Sempre vista luvas brancas em um baile. Véus muito claros também são permitidos.
Geralmente casados não dançam juntos na sociedade, mas é um sinal de incomum atenção que um marido queira dançar com sua esposa, e eles poderão fazer isso caso desejem. Grande cuidado deve ser tomado por uma dama que recusou a dança a um cavalheiro. Após recusar ela não pode aceitar outro convite para a mesma dança.

“Quando cavalheiros são apresentados às damas em um baile para que dancem, logo após o encontro eles devem esperar ser reconhecidos antes de falar; mas têm a liberdade de se fazerem perceber tirando o chapéu quando elas passarem. Uma apresentação para dança não constitui uma liberdade para conversações.”
“Nota do Editor: Damas e Cavalheiros não podem dançar a menos que tenham sido apresentados, então seus anfitriões devem gastar bastante tempo do evento circulando e promovendo as devidas apresentações.”

Todas as citações acima vêm de: Regras de Etiqueta e cultura doméstica, 1816

Seleção, Traduções e Comentários: Leonardo Perin
BIBLIOGRAFIA
BEETON, Isabella Mary Mayson, 1836-1865. Book of household management. Mrs. Beeton's cookery and household management. [New ed.] London, Ward Lock [c1960] 1344 p. illus. (part col.) 24 cm.





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GASKELL, George A., 1844-?. Gaskell's Compendium of forms : educational, social, legal, and commercial, embracing a complete self-teaching course in penmanship and bookkeeping, and aid to English composition ... also, a manual of agriculture and mechanics, with a complete guide to parliamentary practice¾ /, by G. A. Gaskell. Chicago : Fairbanks, Palmer, 1880. 493 p. : ill., forms, plates, ports. ; 28 cm.

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HOUGHTON, Walter R. et al. Rules of etiquette and home culture or what to do and how to do it. Chicago, 1886. Rand, McNally & Co.

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RANSOM, J. Clinton. Successful life: designed to teach the young how to attain the highest success and to lead both old and young to a more useful, happy and prosperous life /, Philadelphia, PA : L. P. Miller & Co, 1891, 606 p

ROWLAND, Helen, Reflections of a bachelor girl/, New York, dodge Publishing Company, 1909

TROLLOPE, Anthony, 1815-1882. North America. Philadelphia, J.B. Lippincott, 1862.

TROLLOPE, Fanny & Pamela Neville-Sington Domestic Manners of the Americans Originally published 1842. Paperback - 416 pages (29 May, 1997) Penguin Books

WHITE, Annie R.. Polite society at home and abroad: a complete compendium of information on all topics classified under the head of etiquette /, Chicago IL: L.P. Miller & Co 1891. 448 p

YOUNG, John H.. Our deportment : or, The manners, conduct and dress of the most refined society /, compiled by John H. Young. Harrisburg, PA : Pennsylvania Publishing Co, 1880, c1879. 415 p

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