6. Mundo espiritual de Swedenborg








Abaixo algumas passagens dos livros de Swedenborg. Foram retiradas de O Céu e o Inferno (O Céu, e suas maravilhas, e o Inferno, segundo o que foi ouvido e visto).






1. O Mundo dos Espíritos

"O mundo dos espíritos não é nem o Céu nem o Inferno, mas um lugar e um estado intermediário entre um e outro; para lá o homem é enviado após a morte. Em seguida, depois de lá passar algum tempo, ele é elevado ao Céu ou conduzido ao Inferno, conforme a vida que levou na Terra."

"O mundo dos espíritos tem o aspecto de um vale entre montanhas e rochas, onde se percebem alguns declives e elevações. As portas que conduzem às sociedades celestes são visíveis apenas aos que estão preparados para o Céu, ficando invisíveis para os demais. Existe uma só entrada e um só caminho que conduz ao Céu, mas à medida que o espírito ascende, multiplicam as veredas e as portas. As portas que conduzem ao Inferno, por outro lado, são apenas visíveis àqueles que devem passar por elas; quando elas se abrem, aparecem antros sombrios, como que cobertos de fuligem, que mergulham obliquamente num abismo provido de numerosas portas. (...) 

Desses antros exalam vapores nauseabundos e fétidos, dos quais os bons espíritos fogem com aversão, enquanto os maus espíritos buscam-nos e aspiram-nos com prazer."
2. Forma humana e sentidos do Espírito

"Disso resulta que o espírito do homem não apenas possui uma forma humana como está provido dos sentidos, mesmo ao se separar do corpo. Tudo o que o homem possui - a vida, os olhos, as orelhas, em uma palavra, os sentidos - não pertence ao corpo, mas ao espírito que o anima."
"A forma dos espíritos é a forma humana. A matéria é adicionada ao espírito e assume a forma deste, porque é segundo sua forma que o espírito se reveste de matéria. O espírito do homem está ativo em cada parte do corpo, mesmo na menor delas quando espírito não mais atua, as partes do corpo deixam de viver. O pensamento e a vontade são propriedades do espírito e não do corpo - ora, é o pensamento e a vontade que comandam as partes do nosso corpo, fazendo-as agir, ou rejeitando-as, quando elas deixam de obedecer-lhes. Se o espírito, após separar -se do corpo, não pode ser percebido como uma forma humana, é porque o órgão de visão do homem - o olho - pertence ao seu corpo e só pode apreender as coisas materiais, da mesma forma como o espírito só pode apreender as coisas espirituais. Quando o olho do corpo está velado e não exerce influência sobre o olho do espírito, então os espíritos podem ser vistos na sua forma humana, tanto aqueles que habitam o mundo dos espírito como os que, no mundo natural, vivem num corpo material." 

3. Sociedades de Espíritos
"Durante a vida terrena, todo homem é membro de uma sociedade de espíritos, embora não o sabia. O homem que é bom pertence a uma sociedade angelical, e o homem malévolo a uma sociedade infernal. Após a morte, cada espírito é acolhido no seio de sua respectiva sociedade."

4. Estudos dos Espíritos
"Aqueles que apreciam os estudos, lêem e escrevem, pois o homem, quando passa de uma vida para outra, apenas desloca-se de um lugar para outro. Não se pode afirmar que, após a morte, o homem é destituído das coisas que lhe pertenciam na Terra."

5. Ar e luz no Mundo dos Espíritos

"Os espíritos que se encontram no Céu, sentem, vêem e ouvem de maneira muito mais precisa e pensam igualmente de maneira muito mais sábia do que quando residiam na Terra. Eles vêem através da luz do céu, que ultrapassa infinitamente a luz do mundo. Ouvem numa atmosfera espiritual que igualmente ultrapassa a atmosfera terrestre. A diferença entre esses sentidos internos e externos é comparável à que existe entre a claridade de um céu sereno e a obscuridade de um céu tempestuoso, ou entre a luz do meio-dia e a escuridão noturna. A luz do Céu confere à visão dos anjos a faculdade de perceber e distinguir objetos minúsculos, que, à visão natural passariam despercebidos."

6. Crimes revelados no Mundo dos Espíritos
"Um outro espírito, servindo-se de um pretexto fraudulento, privou alguns membros de sua própria família a herança que lhe pertencia: quando ele finalmente foi julgado, todas as cartas e bilhetes que escrevera na ocasião foram lidos em minha presença, sem se omitir nenhuma palavra. Esse mesmo espírito, poucos dias antes de sua morte, havia secretamente envenenada um vizinho; esse crime foi revelada da seguinte maneira: mostrou-se o espírito abrindo uma fossa, da qual saiu um homem, que gritou: "O que você me fez?!" Depois foram reveladas todas as circunstâncias do crime: o envenenador havia conversado amigavelmente com sua própria vítima e lhe passara o copo com o veneno; mostrou-se também quais tinham sido seus pensamentos c o que aconteceu após a consumação do crime. Quando tudo foi descoberto, enviaram o criminoso ao Inferno. Todas as más ações, todos os crimes, roubos, artimanhas, trapaças que estão nas memórias do espírito malévolo são exibidos publicamente, de modo que o culpado se vê obrigado a reconhecer suas faltas,  impossibilitado de negar qualquer uma delas, uma vez que todas as circunstâncias vêm à luz."


7. Roupas no Mundo dos Espíritos
"Quando estão preparados para o Céu, são vestidos com vestes angelicais como que tecidas de fino linho e quase sempre de uma brancura luminosa. Então avançam por um caminho que ascende até o Céu e encontram-se com anjos que desempenham a função de guardas."
"Que as vestes dos anjos não aprecem somente como vestimentas, mas que sejam realmente vestuários, isso é evidente, pois que não somente eles as vêem como também as sentem no tato, e também porque eles têm muitos vestuários, e os despem e tornam a vesti-los, guardam os de que não fazem uso e os vestem de novo, desde que devam usá-los."

8. Edifícios no Mundo dos Espíritos
"Como cada um no mundo espiritual tem vestimentas segundo a inteligência, assim, segundo as verdades de onde provém a inteligência, os que estão nos infernos, não tendo verdades, aparecem também cobertos de vestimentas, mas rasgadas, sujas e pretas, cada um segundo a sua loucura, e não podem vestir outras. O Senhor concede-lhes estarem vestidos para que não apareçam nus."


"Mas é melhor apresentar os ensinos da experiência. Todas as vezes que falei com os anjos face a face, eu estava com eles em seus habitáculos. Seus habitáculos são inteiramente como na terra as habitações que se chamam casas, contudo são mais belas. Nelas há um grande número de salas, gabinetes e quartos de dormir; há pátios e, ao redor, jardins, canteiros e prados. Onde os anjos foram consorciados, os prédios são contíguos, um perto do outro, dispostos em forma de cidade, com praças, ruas e mercados, absolutamente à semelhança das cidades em nosso mundo. Foi-me permitido percorrê-las, examiná-las em todos os sentidos e, às vezes, entrar nas casas. Isso se deu em plena vigília, quando minha vista interior tinha sido aberta. 
Vi palácios no céu que eram tão magníficos que não podem ser descritos; no alto eles brilhavam como se fossem de ouro puro, em baixo como se fossem de pedra preciosa; esses palácios eram um mais esplêndido que o outro. Por dentro, os aposentos eram ornados de tal sorte, que nem expressões nem artes bastam para descrevê-los. No lado que dava para o sul, havia jardins paradisíacos, onde tudo igualmente resplandecia; e, em certos lugares, as folhas eram como prata e os frutos como ouro; e as flores nos canteiros por suas cores apresentavam-se como íris. Nas extremidades dos jardins, viam-se novamente palácios onde a vista se perdia."


9. Casamento e festas no Mundo dos Espíritos

"...logo que se vêem, eles se amam intimamente, sentem-se como esposo e esposa e entram em casamento; daí é que todos os casamentos no céu vêm do Senhor. Também celebram-se festas, o que é realizado em uma reunião numerosa; as festividades diferem segundo a s sociedades."

10. Negócios no Mundo dos Espíritos
"Há nos céus, como nas terras, um grande número de administrações, porque há negócios eclesiásticos, civis e domésticos. Vê-se que há negócios eclesiásticos pelo que se disse e se explicou a respeito do culto Divino; negócios civis, pelo que se disse e se mostrou sobre os governos no céu; e negócios domésticos, pelo que se disse sobre as habitações e as moradas dos anjos e sobre os casamentos no céu.  Dai é evidente que há um grande número de funções e de administrações dentro de cada sociedade celeste."


"Todas as coisas nos céus foram instituídas segundo a ordem Divina, que é observada em toda a parte pelos anjos, por via das administrações. Os mais sábios administram as coisas do bem comum ou do uso comum; os que são menos sábios administram as do bem ou do uso particular, e assim por diante."

11. Paisagens naturais, feras, excrementos choças, etc... no Mundo dos Espíritos

"Em alguns infernos aparecem como escombros de casas e de cidades após incêndios, entre os quais habitam e se escondem os espíritos infernais. Nos infernos menos rigorosos aparecem rudes cabanas, em alguns lugares juntas, formando uma espécie de cidade, com ruas e praças; dentro dessas casas habitam espíritos infernais, continuamente em rixas, inimizades e contendas em que eles se ferem e se dilaceram; nas praças e ruas só se vêem roubos e saques. Em certos infernos só se vêem lupanares, medonhos à vista, cheios de todo gênero de  imundícies e de excrementos. Há também matas sombrias, nas quais espíritos infernais vagam como feras, e aí há também antros subterrâneos em que refugiam os que são perseguidos por outros. Há, também, desertos, onde tudo é estéril e  arenoso; e em alguns lugares se vêem ásperos rochedos em que há cavernas, e em outros lugares há também choças."

12. Crianças no Mundo dos Espíritos
"Logo que as crianças são ressuscitadas, o que sucede imediatamente depois de sua morte, elas são arrebatadas ao céu e dadas a anjos do sexo feminino que, na vida do corpo, amaram ternamente as crianças e, ao mesmo tempo, amaram a Deus. Como, no mundo, elas amaram a todas as crianças com ternura de algum modo maternal, elas recebem-nas como suas; e as crianças, por sua índole, amam-nas como suas mães. Cada anjo feminino em consigo tantas crianças quanto deseja, segundo seu “storge” (amor espiritual de progenitora). Todas as crianças estão sobe o auspício imediato do Senhor. O céu da inocência, que é o terceiro céu, influi também nas crianças."


voltar ao menu       próximo post






























Nenhum comentário:

Postar um comentário