3. Mundo Espiritual segundo Allan Kardec: Introdução

A idéia de mundo espiritual presente nas obras de Allan Kardec está, ao mesmo tempo, em um contexto de oposição ao mundo espiritual localizado e circunscrito da Religião (e dos extáticos¹ que pareciam querer comprová-la), bem como de oposição a idéias de penas e recompensas "materiais" como conseqüências de uma vida conforme ou não a padrões morais vigentes.
Allan Kardec é filho de uma época de efervescência cultural, de revoluções industrial e científica. A Astronomia já havia demonstrado que no universo, em sua infinitude, não podemos usar as expressões "cima e baixo", como os antigos que acreditavam na Terra como centro de tudo o que há.
A cultura judaico-cristã criou uma idéia de vida após a morte localizando basicamente duas regiões opostas e intensas em suas finalidades: o céu, como localidade de prazer e bem-aventurança e o inferno, como local de penas e de terrível sofrimento.
Os judeus, e depois os cristãos, cultivavam uma idéia de vários céus sobrepostos. Seriam camadas onde se distribuíam, de acordo com seu merecimento, as almas dos mortos bem-aventurados.
É sobre este céu escalonado (em camadas como uma cebola) que tratarei amanhã.

¹ Falaremos sobre os extáticos em breve.

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