9. Um Céu Infinito

A primeira grande obra de Allan Kardec (com este pseudônimo) é O Livro dos Espíritos, de 1857, com segunda edição em 1860.
Para entendermos  a diferença entre o mundo espiritual das religiões e o apresentado nas obras kardequiianas, podemos começar por dois tópicos deste livro (os negritos são meus):

Em que sentido se deve entender a palavra céu?
                                                                     “Julgas que seja um lugar, como os campos Elíseos dos antigos, onde todos os bons Espíritos estão promiscuamente aglomerados, sem outra preocupação que a de gozar, pela eternidade toda, de uma felicidade passiva? Não; é o espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores, onde os Espíritos gozam plenamente de suas faculdades, sem as tribulações da vida material, nem as angústias peculiares à inferioridade.”
Alguns Espíritos disseram estar habitando o quarto, o quinto céus, etc. Que queriam dizer com isso?
                                                                  “Perguntando-lhes que céu habitam, é que formais idéia de muitos céus dispostos como os andares de uma casa. Eles, então, respondem de acordo com a vossa linguagem. Mas, por estas palavras — quarto e quinto céus — exprimem diferentes graus de purificação e, por conseguinte, de felicidade. É exatamente como quando se pergunta a um Espírito se está no inferno. Se for desgraçado, dirá — sim, porque, para ele, inferno é sinônimo de sofrimento. Sabe, porém, muito bem que não é uma fornalha. Um pagão diria estar no Tártaro.” 
O mesmo ocorre com outras expressões análogas, tais como: cidade das flores, cidade dos eleitos, primeira, segunda, ou terceira esfera, etc., que apenas são alegorias usadas por alguns Espíritos, quer como figuras, quer, algumas vezes, por ignorância da realidade das coisas, e até das mais simples noções científicas. De acordo com a idéia restrita que se fazia outrora dos lugares das penas e das recompensas e, sobretudo, de acordo com a opinião de que a Terra era o centro do Universo, de que o firmamento formava uma abóbada e que havia uma região das estrelas, o céu era situado no alto e o inferno embaixo. Daí as expressões: subir ao céu, estar no mais alto dos céus, ser precipitado nos infernos. 

A Astronomia e os avanços científicos em geral demonstravam o quanto os mitos  fundadores das religiões precisavam ser revistos.
O Universo, longe de ser circunscrito à Terra (seu Alto e Baixo como moradas de deuses, anjos, santos, pecadores condenados e demônios) apresentava-se como uma rica e inesgotável realidade. A estagnação e a    limitação espaço-temporal foi substituída pelo constante movimento e pelo infinito.
É, para Allan Kardec este universo sem limites, ou fronteiras estanques e intransponíveis que servirá para que se busque vislumbrar esta espécie de "novo céu", proposto pelo Espiritismo.
A idéia do planeta Terra e seus céus concêntricos, em vida "material" de gozos, ou seu subterrâneo ardente onde morariam os pecadores condenados,  ainda vigorava nas camadas populares, mas com a constante alfabetização e desenvolvimento educacional já estava com seus dias contados.
Na tentativa de ver o Espírito cientificamente, abandonar a superstição em relação ao mundo em que ele habita era um passo importante, principalmente pelas objeções bem fundamentadas que descrições deste tipo  produzem.


Passaremos pela idéia de movimento deste mundo espiritual, ou deste céu, no próximo post.




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