Vitalismo e outras questões oitocentistas em Eça de Queirós

Mas a porta abriu-se com força, e um rapaz de barba desleixada, e olhar um pouco doido, entrou; era um estudante da Escola, amigo de Julião, e quase imediatamente os dois recomeçaram uma discussão que tinham travado de manhã, e que fora interrompida às onze horas, quando o rapaz de olhar doido a almoçar à Áurea.
— Não, menino! — exclamava o estudante, exaltado. — Estou na minha! A Medicina é uma meia ciência; a Fisiologia é outra meia ciência! São ciências conjeturais, porque nos escapa a base, conhecer o princípio da vida!

Média de vida no século XIX

Na verdade, antes as pessoas eram aproveitadas até o dia em que morriam. A vida média até duas gerações atrás era de trezentas mil horas, e o inicio da aposentadoria quase sempre coincidia com o fim da vida. As companhias de seguro, até pouco tempo, estavam financeiramente equilibradas porque as pessoas morriam quando atingiam a idade para usufruir da apólice. Os nossos bisavós trabalhavam durante quase a metade de sua vida. Na segunda metade do século XIX-, a vida média dos homens era de trinta e quatro anos, e a das mulheres, de trinta e cinco: menos da metade da atual expectativa de vida na Itália.

Domenico De Masi 
O ócio Criativo. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2000, p.63.
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Allan Kardec e Jan Huss no mundo espiritual



Para comemorar os quinhentos anos de nascimento Jan Huss a Revista Espírita publica interessante matéria, em setembro de 1869.
Após apresentar uma reportagem do Siècle de 11 de julho de 1869, e apresentar dados biográficos do personagem histórico duas mensagens são publicadas uma de Huss e outra de Allan Kardec. 
Diz a revista: 
Evocado por um de nossos médiuns, o Espírito de João Huss deu a seguinte comunicação, que nos apressamos em mostrar aos nossos leitores, bem como uma instrução do Sr. Allan Kardec sobre o mesmo assunto, porque nos parecem bem caracterizar a natureza do homem eminente, que se ocupou com tanto ardor, desde o século quinze, a preparar os elementos da emancipação e da regeneração filosóficos da Humanidade.

Acesse os links:
Dados biográficos de Jan Huss publicados na Revue
Mensagem de Jan Huss 
Mensagem de Allan Kardec sobre Jan Huss

Robert Owen e Robert Dale Owen


Robert Owen (1771-1858)




Abaixo artigo do indispensável site:

ROBERT DALE OWEN
O SOCIALISTA

O Site vem agora apresentar mais um grande Gigante do Espiritismo, agora vindo do Estados Unidos, pois foi um dos trabalhadores das primeiras horas do Surgimento da Doutrina Espírita.

Robert Dale Owen nasceu em 7 de novembro de 1801 em Glasgow na Escócia e desencarnou em 24 de junho de 1877.
Dale Owen era filho do socialista galês Robert Owen (1771-1858), um reformador social de grande renome, que se devotou à educação da juventude, à melhoria das condições de vida dos pobres e é considerado o pai do movimento de cooperativas.

Dale Owen emigrou para os Estados Unidos em 1825 e ajudou seu pai a criar uma comunidade - New Harmony - em Indiana organizada segundo seus ideais socialistas. O empreendimento não teve sucesso e, após um breve período na Europa, Dale Owen se estabeleceu em Nova Iorque onde dirigiu o jornal "Free Enquirer" (1828-1832).

Em 1833 ele retornou para Indiana e a partir de 1835 começou sua atuação política pelo partido Democrata. A relação apresentada pelo Diretório Biográfico do Congresso Americano dá uma idéia da carreira política de Dale Owen:

- Indiana House of representatives 1835-1838 (o equivalente a deputado estadual);
- Deputado pelo partido Democrata no Congresso Americano (March 4, 1843-March 3, 1847)
- Indiana Constitutional Convention (equivalente a uma assembléia constituinte estatual) em 1850.
- Indiana House of representatives em 1851.
- Embaixador dos Estados Unidos em Nápoles (na época capital do Reino das Duas Sicilias) de 1853 a 1858.

Dedicou-se ao Estudo do Espiritismo visando provar a seu pai o grave erro em que ele incorria ao se interessar pelos fenômenos supranormais. E o resultado de suas investigações foi render-se à evidência dos fatos por ele verificados.

Robert Dale Owen devotou sua vida a expansão dos Postulados da Doutrina Espírita dentro dos Estados Unidos é como um espiritualista convicto e de grande integridade.

No inicio de janeiro de 1875 ele escreveu um artigo para o jornal Atlantic Monthly sobre as sessões de materialização do espírito Katie King (famoso pelos estudos realizados entre 1871 e 1874 pelo cientista inglês Willian Crookes com o auxílio da médium Florence Cook)

Publicou várias obras nas quais declara sua convicção na sobrevivência do espírito após a morte do corpo físico e a mais importante foi o livro intitulado “Região em Litígio entre este Mundo e o Outro” publicado na Filadélfia, em 1877.

Robert Dale Owen (1801-1877)

Domenico de Masi

Domenico De Masi


Ócio Criativo


1.Robert Owen e New Lanark

Robert Owen e New Lanark


New Lanark
"Contudo, a estética não nos serve mais para conseguir a graça dos deuses": é um componente menos mágico da nossa existência.
Mas, se pensarmos bem, ainda hoje delegamos uma grande parte da nossa felicidade à arte: quando desejamos nos sentir bem, nos divertir, vamos ao cinema, ao teatro, a um museu, ou vamos admirar uma bela paisagem.
Foi a sociedade industrial que isolou o belo, expulsando-o do mundo do trabalho: são pouquíssimos os empresários que deram valor à estética. Um exemplo raro é o de Robert Owen, que, no início do século XIX, construiu uma esplêndida fiação, New Lanark, na Escócia. Eu a visitei: é enorme, é quase uma cidade. Ali se encontram a casa da inteligência e a casa dos sentimentos: até mesmo a topografia foi planejada de modo a que, desde criança, o ser humano pudesse habituar-se a se tornar um ser pensante."

Domenico De Masi 
O ócio Criativo. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2000, p.30
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Caráter da revelação espírita


Allan Kardec e Jan Huss no mundo espiritual



Para comemorar os quinhentos anos de nascimento Jan Huss a Revista Espírita publica interessante matéria, em setembro de 1869.
Após apresentar uma reportagem do Siècle de 11 de julho de 1869, e apresentar dados biográficos do personagem histórico duas mensagens são publicadas uma de Huss e outra de Allan Kardec. 
Diz a revista: 
Evocado por um de nossos médiuns, o Espírito de João Huss deu a seguinte comunicação, que nos apressamos em mostrar aos nossos leitores, bem como uma instrução do Sr. Allan Kardec sobre o mesmo assunto, porque nos parecem bem caracterizar a natureza do homem eminente, que se ocupou com tanto ardor, desde o século quinze, a preparar os elementos da emancipação e da regeneração filosóficos da Humanidade.

Acesse os links:
Dados biográficos de Jan Huss publicados na Revue
Mensagem de Jan Huss 
Mensagem de Allan Kardec sobre Jan Huss

Mensagem de Allan Kardec sobre Jan Huss

(Paris, 17 de agosto de 1869)

Analisando através das eras a história da Humanidade, o filósofo e o pensador logo reconhecem, na origem e no desenvolvimento das civilizações, uma gradação insensível e contínua. – De um conjunto homogêneo e bárbaro surge, em primeiro lugar, uma inteligência isolada, desconhecida e perseguida, mas que, não obstante, faz época e serve de baliza, de ponto de referência para o futuro. – A tribo, ou se quiserdes, a nação, o Universo avançam em idade e as balizas se multiplicam, semeando aqui e ali os princípios de verdade e de justiça que serão a partilha das gerações que chegam. Essas balizas esparsas são os precursores; eles semeiam uma idéia, desenvolvem-na durante sua vida terrena, vigiam-na e a protegem no estado de Espírito, e voltam periodicamente através dos séculos para trazerem seu concurso e sua atividade ao seu desenvolvimento.

Mensagem de Jan Huss

(Paris, 14 de agosto de 1869)

A opinião dos homens pode dispersar-se momentaneamente, mas a justiça de Deus, eterna e imutável, sabe recompensar, quando a justiça humana castiga, perdida pela iniqüidade e pelo interesse pessoal. Apenas cinco séculos (um segundo na eternidade) se passaram desde o nascimento do obscuro e modesto trabalhador e já a glória humana, à qual ele não se prende mais, substituiu a sentença infamante e a morte ignominiosa, incapazes de abalar a firmeza de suas convicções.

Dados biográficos de Jan Huss publicados na Revue


João Huss nasceu a 6 de julho de 1373 sob o reinado do imperador Carlos IV e sob o pontificado de Gregório XI, cerca de cinco anos antes do grande cisma do Ocidente, que se pode encarar como uma das sementes do hussitismo. A História nada nos ensina do pai e da mãe de João Huss, senão que eram criaturas probas, mas de origem obscura. Segundo o costume da Idade Média, João Huss, ou melhor, João de Huss, foi assim chamado porque nasceu em Huissinecz, pequeno burgo situado ao sul da Boêmia, no distrito de Prachen, nas fronteiras da Baviera. 

Entrevistando Kardec

Maria Carolina Gurgacz

Realizado a partir do artigo “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”  de 1859, mês de Julho. 


1)   Senhor Allan Kardec. Sabemos que de acordo com o estatuto da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas existem algumas restrições para participar dos estudos.Qual é o motivo delas?

Re: Essas restrições parecerão muito naturais aos que conhecem a finalidade de nossa instituição e sabem que somos, antes de tudo, uma Sociedade de estudos e de pesquisas, e não uma arena de propaganda. É por essa razão que não admitimos em nossas fileiras aqueles que, não possuindo as primeiras noções da ciência, nos fariam perder tempo em demonstrações elementares, incessantemente repetidas. 

2)       O que o Senhor diria para aquele que quer saber verdadeiramente sobre o Espiritismo?

O ensino de história

Trecho do

Discurso pronunciado na distribuição de prêmios

de 14 de agosto de 1834

Por Sr. Rivail

O ensino de história também sofreu modificações da mais alta importância. Esta ciência é ensinada em toda parte por meio de livros apenas; há cerca de dez anos pensei em fazer um estudo tanto para os olhos quanto para o espírito. Tinha trabalhos nessa época com esse objetivo, mas que foram interrompidos; e apenas neste ano pude continuá-los.

Revolução Francesa - oposição França x Inglaterra e fracasso de reformas

Anne Robert Jacques Turgot 1727-1781
Durante todo o século XVIII a França foi o maior rival econômico da Grã-Bretanha. Seu comércio externo, que se multiplicou quatro vezes entre 1720 e 1780, causava ansiedade; seu sistema colonial foi em certas áreas (como nas índias Ocidentais) mais dinâmico que o britânico. Mesmo assim a França não era uma potência como a Grã-Bretanha, cuja política externa já era substancialmente determinada pelos interesses da expansão capitalista. Ela era a mais poderosa, e sob vários aspectos a mais típica, das velhas e aristocráticas monarquias absolutas da Europa. Em outras palavras, o conflito entre a estrutura oficial e os interesses estabelecidos do velho regime e as novas forças sociais ascendentes era mais agudo na Franca do que em outras partes. As novas forças sabiam muito precisamente o que queriam. 

A MÃE DE TODAS AS BURCAS

Aqui coloco um artigo interessantíssimo de Richard Dawkins (que fecha seu livro "Deus um delírio") como texto de apoio para um estudo sobre as sensações e percepções dos Espíritos, segundo Allan Kardec que publicarei, aqui na minha coluna, adiante.
Obviamente este artigo não foi escolhido para defender a tese kardequiana, mas serve para relembrarmos a tese de Dawkins sobre o "Mundo Médio" das percepções e onde apresenta uma proposta evolucionista de como as necessidades produziram a faixa de captação dos sentidos do homem.


Richard Dawkins
A MÃE DE TODAS AS BURCAS

Um dos espetáculos mais tristes de nossas ruas hoje em dia é a imagem de uma mulher encoberta por uma forma negra dos pés à cabeça, espiando o mundo através de uma nesga minúscula. A burca não é só um instrumento da opressão de mulheres e de repressão de sua liberdade e de sua beleza; não é só um símbolo da crueldade flagrante masculina da trágica submissão feminina. Quero usar a estreita fenda do véu como representação de outra coisa. 

15. As descrições do mundo espiritual e o problema da colher

Quando Allan Kardec estuda os fenômenos mediúnicos e trava contato com diversos Espíritos que respondem suas questões através dos médiuns, o mundo espiritual não era nenhuma novidade.
Como já vimos em posts passados, Swedenborg foi o primeiro, na era contemporânea, a apresentar descrições deste mundo invisível com ares de cientificidade. 
No caso dos magnetistas (e Kardec era um deles) os fenômenos de sonambulismo, principalmente no estágio de êxtase, já haviam produzido diversas descrições do mundo espiritual. Cahagnet, com o Magnetismo Espiritualista, publicou diversas obras onde seus diálogos com extáticos apresentam um mundo espiritual com Espíritos de diverso vestuário, com ocupações muitas vezes semelhantes às dos homens, com objetos semelhantes aos da Terra, etc.




14. No sono vivemos o mundo espiritual

No post anterior levantamos a seguinte questão:
Sendo tão diferente do mundo corporal, como não sofrer um estranhamento tão grande a ponto de ser insuportável a vida no mundo espiritual?
Ao comentar o que eu havia escrito, meu amigo André Cascaes adiantou a resposta trazendo uma série de perguntas e respostas de O Livro dos Espíritos, onde Allan Kardec trata do tema "sono e sonhos".
Segundo o Espiritismo, ao dormirmos nossa alma se desprende do corpo, passando a viver uma outra realidade: a realidade espiritual. É uma espécie de morte diária, como vemos no item 402:

Allan Kardec e a autorização dos Espíritos para correções de mensagens

Ao estudar as obras de Allan Kardec se percebe alguns ajustes feitos pelo autor, de edição em edição, não só em seus textos, como em mensagens de Espíritos.
Longe de serem intocáveis, as mensagens são expressões do pensamento do Espírito que se comunica, mas que, na forma, recebe uma carga de informações do médium. É uma espécie de parcela do médium nas comunicações que, segundo os próprios Espíritos, dá o "colorido" da mensagem. 
Segue um trecho da mensagem assinada por Erasto e Timóteo, recolhidas em O Livro dos Médiuns ou guia dos médiuns e evocadores, no capítulo XIX, Os médiuns nas comunicações espíritas:

Erro de Linguagem de um Espírito

Revista Espírita, junho de 1860.

Recebemos a seguinte carta, a propósito do fato de escrita direta, relatado em nosso número da Revista Espírita do mês de maio.

PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA

Revista Espírita, maio de 1860
No dia 11 de fevereiro último o Sr. X..., um dos nossos mais ilustres literatos, achava-se em casa da Srta. Huet, com seis outras pessoas, há tempos iniciadas nas manifestações espíritas. O Sr. X... e a Srta. Huet assentaram-se face a face, em volta de uma mesinha escolhida pelo próprio Sr. X... Este último tirou do bolso um papel perfeitamente branco, dobrado em quatro e por ele marcado com sinal quase imperceptível, embora suficiente para ser facilmente reconhecido; colocou-o sobre a mesa e o cobriu com um lenço branco que lhe pertencia. A Srta. Huet pôs as mãos sobre a ponta do lenço; o Sr. X... fez o mesmo, pedindo aos Espíritos uma manifestação direta, com vistas à sua instrução. Pediu-a de preferência a Channing, evocado com essa finalidade. Ao cabo de dez minutos, ele mesmo levantou o lenço e retirou o papel, que trazia escrito de um lado o esboço de uma frase traçada com dificuldade e quase ilegível, mas na qual se podiam descobrir os rudimentos destas palavras: Deus vos ama; do outro lado estava escrito: Deus, no ângulo exterior, e Cristo, no fim do papel. Esta última palavra era escrita de modo a deixar uma impressão na folha dupla.

a Revolução Francesa- influências

A Revolução Francesa pode não ter sido um fenômeno isolado, mas foi muito mais fundamental do que os outros fenómenos contemporâneos e suas conseqüências foram portanto mais profundas. Em primeiro lugar, ela se deu no mais populoso e poderoso Estado da Europa (não considerando a Rússia). Em 1789, cerca de um em cada cinco europeus era francês. Em segundo lugar, ela foi, diferentemente de toda as revoluções que a precederam e a seguiram, uma revolução social de massa, e incomensuravelmente mais radical do que qualquer levante comparável. Não é urri fato meramente acidental que os revolucionários americanos e os jacobinos britânicos que emigraram para a Fiança devido a suas simpatias políticas tenham sido vistos como moderados na França. Tom Paine era um extremista na Grã-Bretanha e na América; mas em Paris ele estava entre os mais moderados dos girondinos.

13. Dificuldades na linguagem para expressar o mundo espiritual

Nas obras kardequianas não foram poucas as vezes em que os Espíritos apresentam a dificuldade de expressar suas idéias.
Afirmando que no mundo espiritual se comunicam pelo pensamento, a clareza do fundo não tem as armadilhas da forma, comuns no cotidiano da linguagem humana.
Traduzir na linguagem humana o que vivem, sentem e produzem quase sempre é tarefa realizada sem total êxito.

12. Mundos transitórios: um lugar para os Espíritos

Mozart
Em maio de 1859, uma informação nova e interessante surge nas páginas da Revista Espírita. 
Visto que as informações dadas até então pelos Espíritos remetia a uma noção de constante movimento, algo dito pelo Espírito de Chopin chama a atenção: existem mundos onde os Espíritos (e somente eles) habitam.  
Abaixo o diálogo, envolvendo Allan Kardec e os Espíritos Chopin e Mozart:

Mundos Intermediários ou Transitórios

Allan Kardec, Revista Espírita, Maio de 1859.

Numa das respostas que foram dadas em nosso número anterior, vimos que haveria, ao que parece, mundos
destinados aos Espíritos errantes. A idéia de tais mundos não se achava na mente de nenhum dos assistentes e ninguém nela teria pensado não fosse a revelação espontânea de Mozart, nova prova de que as comunicações espíritas podem ser independentes de qualquer opinião preconcebida. Visando aprofundar essa questão, nós a submetemos a um outro Espírito, fora da Sociedade e através de outro médium, que não lhe tinha nenhum conhecimento.

11. Movimentos e instrução dos Espíritos

A idéia de movimento é tão importante nos conceitos kardequianos que o termo usado para designar o estado em que se encontra o Espírito entre uma reencarnação e outra é "erraticidade".
O espírito errante não é exatamente a "alma penada" da cultura popular, pois, exceção dos puros, todo Espírito, não estando encarnado,  é classificado como "errante" por Allan Kardec. 
Estar sem o corpo físico é fator que contribui para esse constante movimento:

Parabéns, Allan Kardec




Foi em 1854 que pela primeira vez ouvi falar das mesas girantes. Encontrei um dia o magnetizador, Senhor Fortier, a quem eu conhecia desde muito tempo e que me disse: Já sabe da singular propriedade que se acaba de descobrir no Magnetismo? Parece que já não são somente as pessoas que se podem magnetizar, mas também as mesas, conseguindo-se que elas girem e caminhem à vontade. — “É, com efeito, muito singular, respondi; mas, a rigor, isso não me parece radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de eletricidade, pode perfeitamente atuar sobre os corpos inertes e fazer que eles se movam.”

10. Espíritos: seus movimentos e viagens...

Em oposição à locais preestabelecidos para purgação ou gozo pós-morte, a idéia de movimento é uma constante nas obras kardequianas.
Na citação abaixo, retirada de O Livro dos Médiuns: ou guia dos médiuns e evocadores, além de dar a idéia de mobilidade do Espírito, apresenta a imobilidade como uma opção própria dos "Espíritos inferiores" (em negritos nossos, na citação), que se apegam a lugares específicos: