Allan Kardec e a autorização dos Espíritos para correções de mensagens

Ao estudar as obras de Allan Kardec se percebe alguns ajustes feitos pelo autor, de edição em edição, não só em seus textos, como em mensagens de Espíritos.
Longe de serem intocáveis, as mensagens são expressões do pensamento do Espírito que se comunica, mas que, na forma, recebe uma carga de informações do médium. É uma espécie de parcela do médium nas comunicações que, segundo os próprios Espíritos, dá o "colorido" da mensagem. 
Segue um trecho da mensagem assinada por Erasto e Timóteo, recolhidas em O Livro dos Médiuns ou guia dos médiuns e evocadores, no capítulo XIX, Os médiuns nas comunicações espíritas:

...encontramos no cérebro do médium os elementos próprios a dar ao nosso pensamento a vestidura da palavra que lhe corresponda e isto quer o médium seja intuitivo, quer semimecânico, ou inteiramente mecânico. Essa a razão por que, seja qual for a diversidade dos Espíritos que se comunicam com um médium, os ditados que este obtém, embora procedendo de Espíritos diferentes, trazem, quanto à forma e ao colorido, o cunho que lhe é pessoal. Com efeito, se bem o pensamento lhe seja de todo estranho, se bem o assunto esteja fora do âmbito em que ele habitualmente se move, se bem o que nós queremos dizer não provenha dele, nem por isso deixa o médium de exercer influência, no tocante à forma, pelas qualidades e propriedades inerentes à sua individualidade. E exatamente como quando observais panoramas diversos, com lentes matizadas, verdes, brancas, ou azuis; embora os panoramas, ou objetos observados, sejam inteiramente opostos e independentes, em absoluto, uns dos outros, não deixam por isso de afetar uma tonalidade que provém das cores das lentes. Ou, melhor: comparemos os médiuns a esses bocais cheios de líquidos coloridos e transparentes, que se vêem nos mostruários dos laboratórios farmacêuticos. Pois bem, nós somos como luzes que clareiam certos panoramas morais, filosóficos e internos, através dos médiuns, azuis, verdes, ou vermelhos, de tal sorte que os nossos raios luminosos, obrigados a passar através de vidros mais ou menos bem facetados, mais ou menos transparentes, isto é, de médiuns mais ou menos inteligentes, só chegam aos objetos que desejamos iluminar, tomando a coloração, ou, melhor, a forma de dizer própria e particular desses médiuns. 
Talvez, devido a este "colorido" do médium se deva alguns erros na forma presentes em algumas mensagens, o que justifica as algumas das correções feitas por Allan Kardec, ou para publicá-las ou republicá-las.
Disse que justifica "algumas das correções", por que certamente no universo de ajustes feitos por Allan Kardec existem, certamente, outras motivações.
Em junho de 1860, Allan Kardec publica uma carta apresentando um problema que ele resolve, esclaracendo ao remetente e ao leitor em geral trazendo uma autorização dada pelos Espíritos a ele:
“Ligai-vos ao fundo e não à forma; para nós, o pensamento é tudo; a forma, nada. Corrigi, pois, a forma, se quiserdes. Nós vos deixamos esse cuidado.” 
Abaixo os links para a publicação que fez surgir a questão do leitor e para a carta seguida da resposta de Allan Kardec:


Artigo onde Allan Kardec escreve:
Uma segunda prova foi feita em condições exatamente iguais e, ao cabo de um quarto de hora, o papel continha, na face inferior, e em caracteres fortemente traçados em negro, estas palavras inglesas: God loves you e, mais abaixo, Channing.

Para mim é um prazer confirmar o relato, à exceção de um pequeno erro, que escapou ao narrador. Não é God loves you, mas God love you, que encontramos no papel, isto é, o verbo love, sem a letra s, não estava na terceira pessoa do presente do indicativo. Assim, não se poderia traduzir por Deus vos ama, a menos que se subentenda a palavra que e se dê à frase uma forma de imperativo ou de subjuntivo.



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