11. Movimentos e instrução dos Espíritos

A idéia de movimento é tão importante nos conceitos kardequianos que o termo usado para designar o estado em que se encontra o Espírito entre uma reencarnação e outra é "erraticidade".
O espírito errante não é exatamente a "alma penada" da cultura popular, pois, exceção dos puros, todo Espírito, não estando encarnado,  é classificado como "errante" por Allan Kardec. 
Estar sem o corpo físico é fator que contribui para esse constante movimento:
Enquanto arrastamos o nosso corpo pesado e material pela terra, como o trabalhador forçado a sua corrente, o dos Espíritos, vaporoso e etéreo, transporta-se sem fadiga de um a outro lugar, vencendo o espaço com a rapidez do pensamento e em tudo penetrando, visto que a matéria não lhe opõe nenhum obstáculo.¹

Neste estado de erraticidade cada Espírito busca seus interesses. Muitos buscam a instrução, mas diferente do que acreditava Swedenborg, não buscam em livros do mundo espiritual. Sobre isso Allan Kardec anota o seguinte em seu O Livro dos Espíritos (item 227): 
De que modo se instruem os Espíritos errantes? Certo não o fazem do mesmo modo que nós outros?   “Estudam e procuram meios de elevar-se. Vêem, observam o que ocorre nos lugares aonde vão; ouvem os discursos dos homens doutos e os conselhos dos Espíritos mais elevados e tudo isso lhes incute idéias que antes não tinham.”
A instrução parece ser a principal ocupação dos Espíritos:
Instruir-se, esclarecer-se, eis aí a sua grande preocupação, e eles se sentem felizes quando a isso podem acrescentar pequenas missões de confiança que os elevam aos seus próprios olhos. Têm, também, suas assembléias, mais ou menos sérias, conforme a natureza de seus pensamentos. Falam-nos, vêem e observam o que se passa; imiscuem-se em nossas reuniões, em nossos jogos, em nossas festas e espetáculos, bem como em nossas ocupações sérias. Ouvem nossas conversas: os mais levianos para se divertirem, para rirem à nossa custa ou para nos pregarem alguma peça, caso o possam; os outros para se instruírem. Observam os homens, analisam o seu caráter e fazem o que chamam estudo de costumes, com vistas à escolha de sua futura existência.
Aqui, percebemos que a idéia de instrução não se liga apenas à o aspecto nobre do termo. Vários Espíritos buscam instruir-se por interesses específicos que vão da vingança à simples curiosidade; Um Espírito, cujos diálogos com Allan Kardec foram publicados na Revista de maio de 1859, disse apreciar ir ao teatro onde, segundo ele, "me misturo nas conversas... e escuto coisas singulares". Este  Espírito, conhecido como Pierre Le Flamand, completa sua explicação sobre  por que gostava de ir ao teatro assim:
...o que mais aprecio são certos colóquios. É realmente curioso ver a manobra de algumas criaturas, sobretudo das que ainda querem passar por jovens. Em toda essa lengalenga ninguém diz a verdade: assim como o rosto, o coração se maquia, de modo que ninguém se entende. Acerca disso realizei um estudo dos costumes.


¹ Revista Espírita, Abril de 1859










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