12. Mundos transitórios: um lugar para os Espíritos

Mozart
Em maio de 1859, uma informação nova e interessante surge nas páginas da Revista Espírita. 
Visto que as informações dadas até então pelos Espíritos remetia a uma noção de constante movimento, algo dito pelo Espírito de Chopin chama a atenção: existem mundos onde os Espíritos (e somente eles) habitam.  
Abaixo o diálogo, envolvendo Allan Kardec e os Espíritos Chopin e Mozart:
18. Como considerais as vossas produções musicais? Resp. – Eu as prezo muito, mas em nosso meio fazemo-las melhores; sobretudo as executamos melhor. Dispomos de mais recursos. 19. Quem são, pois, os vossos executantes? Resp. – Sob nossas ordens temos legiões de  executantes que tocam nossas composições com mil vezes mais arte do qualquer um dos vossos. São músicos completos. O instrumento de que se servem é, por assim dizer, a própria garganta; são auxiliados por alguns instrumentos, espécies de órgãos de uma precisão e de uma melodia que, parece, ainda não podeis compreender. 20. Sois errante? Resp. – Sim; isto é, não pertenço, com exclusividade, a nenhum planeta. 21. Os vossos executantes também são errantes? Resp. – Errantes como eu.                                            22. [A Mozart] – Poderíeis explicar-nos o que acaba de dizer Chopin? Não compreendemos essa execução por Espíritos errantes. Resp. – Compreendo vossa surpresa; entretanto, já vos dissemos que há mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que lhes podem servir de  habitação temporária, espécies de bivaques, de campos onde descansem de uma demasiado longa erraticidade, estado este sempre um tanto penoso.
Allan Kardec, após receber esta resposta, evoca Agostinho e este Espírito lhe dá uma série de respostas que mais tarde serão inseridas na segunda edição de O Livro dos Espíritos, de 1860.
Chopin
Então, temos como "moradas" para os Espíritos errantes, ou a crosta terrestre, quando se imiscuem nas questões humanas, ou o espaço e os demais planetas (quando em movimento), ou moradas mais "fixas", digamos assim, que seriam os planetas transitórios.

Sobre esta seqüência de questões que foram inseridas em O Livro dos Espíritos, ontem, quando conversava com meu estudioso amigo André, ele me passou uma informação interessante: o item 234, da obra, traz uma resposta organizada por Allan Kardec que reúne o que foi dito por Mozart e por Agostinho. Vejamos:

234. Há, de fato, como já foi dito, mundos que servem de estações ou pontos de repouso aos Espíritos errantes?
“Sim, há mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que lhes podem servir de habitação temporária, espécies de bivaques, de campos onde descansem de uma demasiado longa erraticidade, estado este sempre um tanto penoso. São, entre os outros mundos, posições intermédias, graduadas de acordo com a natureza dos Espíritos que a elas podem ter acesso e onde eles gozam de maior ou menor bem-estar.”
  a) — Os Espíritos que habitam esses mundos podem deixá-los livremente? 
“Sim, os Espíritos que se encontram nesses mundos podem deixá-los, a fim de irem para onde devam ir. Figurai-os como bandos de aves que pousam numa ilha, para aí aguardarem que se lhes refaçam as forças, a fim de seguirem seu destino.”

Retiraremos da citação feita acima o trecho que diz respeito à parte dos dito de Mozart usado na confecção da resposta:
22. [A Mozart] – Poderíeis explicar-nos o que acaba de dizer Chopin? Não compreendemos essa execução por Espíritos errantes. Resp. – Compreendo vossa surpresa; entretanto, já vos dissemos que há mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que lhes podem servir de  habitação temporária, espécies de bivaques, de campos onde descansem de uma demasiado longa erraticidade, estado este sempre um tanto penoso.
Abaixo a primeira resposta de Agostinho:
1. [A Santo Agostinho] – Há, de fato, como já foi dito, mundos que servem de estações ou pontos de repouso aos Espíritos errantes? Resp. – Sim, mas eles são gradativos, isto é, entre os outros mundos ocupam posições intermédias, de acordo com a natureza dos Espíritos que a eles podem ter acesso e onde gozam de maior ou menor bem-estar.
2. Os Espíritos que habitam esses mundos podem deixá-los livremente?                    Resp. – Sim, os Espíritos que se encontram nesses mundos podem deixá-los, a fim de irem para onde devam ir. Figurai-os como bandos de aves que pousam numa ilha, para aí aguardarem que se lhes refaçam as forças, a fim de seguirem seu destino. 

 Veja o original:

Revista:
(A Mozart.) Auriez-vous la bonté de nous expliquer ce que vient de dire Choppin ? Nous ne comprenons pas cette exécution par des Esprits errants. - R. Je conçois votre étonnement ; nous vous avons pourtant dit déjà qu'il y a des mondes particulièrement affectés aux êtres errants, mondes dans lesquels ils peuvent habiter temporairement ; sortes de bivouacs, de camps pour reposer leurs esprits fatigués par une trop longue erraticité, état toujours un peu pénible.
(A saint Augustin.) Existe-t-il, comme cela nous a été dit, des mondes qui servent aux Esprits errants de stations et de points de repos ? - R. Il y en a, mais ils sont gradués ; c'est-à-dire qu'ils occupent des positions intermédiaires parmi les autres mondes, suivant la nature des Esprits qui peuvent s'y rendre, et qui y jouissent d'un bien-être plus ou moins grand.
2. Les Esprits qui habitent ces mondes peuvent-ils les quitter à volonté ? - R. Oui ; les Esprits qui se trouvent dans ces mondes peuvent s'en détacher pour aller où ils doivent se rendre. Figurez-vous des oiseaux de passage s'abattant sur une île en attendant d'avoir repris des forces pour se rendre à leur destination.

O Livro dos Espíritos
234. Existe-t-il, comme cela a été dit, des mondes qui servent aux Esprits errants de stations et de points de repos ?
« Oui, il y a des mondes particulièrement affectés aux êtres errants, mondes dans lesquels ils peuvent habiter temporairement ; sortes de bivouacs, de camps pour se reposer d'une trop longue erraticité, état toujours un peu pénible. Ce sont des positions intermédiaires parmi les autres mondes, graduées suivant la nature des Esprits qui peuvent s'y rendre, et ceux-ci jouissent d'un bien-être plus ou moins grand. »
- Les Esprits qui habitent ces mondes peuvent-ils les quitter à volonté ?    « Oui, les Esprits qui se trouvent dans ces mondes peuvent s'en détacher pour aller où ils doivent se rendre. Figurez-vous des oiseaux de passage s'abattant sur une île, en attendant d'avoir repris des forces pour se rendre à leur destination. »








Nenhum comentário:

Postar um comentário