Allan Kardec

ALLAN KARDEC é o pseudônimo de Hippolyte-Léon-Denizard Rivail, pensador francês.
Nasceu em Lyon, onde sua mãe fazia um tratamento médico, mas passou sua primeira infância em Bourg-en-Bresse. Aos 10 anos seus pais lhe enviaram para Yverdun, na Suíça, para estudar no Instituto dirigido por Johan Heinrich Pestalozzi.
Apesar da  tradição familiar ser ligada ao Direito, inclina-se à Educação. Influência do Mestre de Yverdun, certamente.
Já em Paris, com pouco mais de 20 anos, funda uma escola e escreve livros sobre educação, declarando-se discípulo de Pestalozzi. 
Vinculou-se a diversas associações de sábios, dedicando-se a diversas ciências como a Matemática, História, Frenologia e Magnetismo Animal.
Nos anos 50 do século XIX, passa a se dedicar aos fenômenos relacionados  às "mesas girantes" importados da América. Estudando-os profundamente, e analisando seus desdobramentos, organiza o que acreditava ser uma ciência revolucionária e a batiza de Espiritismo. Em abril de 1857 escreve a primeira obra espírita O Livro dos Espíritos, demarcando oficialmente o início da nova doutrina.
Morre em março de 1869.

Prêmio de 2.500 francos ao sujet magnético...

A experiência feita nos Estados Unidos a propósito dos médiuns, lembra uma outra, realizada dez anos atrás, na França, pró ou contra os sonâmbulos lúcidos, isto é, magnetizados. A Academia de Ciências recebeu a missão de conceder um prêmio de 2.500 francos ao sujet magnético que lesse com os olhos  vendados. Todos os sonâmbulos fizeram de bom grado essa experiência, nos salões ou nos teatros de feira; liam em livros fechados e decifravam toda uma carta, sentados sobre ela ou colocando-a bem dobrada e fechada sobre o ventre; porém, diante da Academia, não foram capazes de ler absolutamente nada e o prêmio não foi ganho por ninguém. 
Essa experiência prova, uma vez mais, da parte de nossos adversários, a absoluta ignorância dos princípios sobre os quais repousam os fenômenos das manifestações espíritas. Entre eles há a idéia fixa de que tais fenômenos devem  obedecer à vontade e reproduzir-se com a precisão de uma máquina. Esquecem completamente ou, melhor dizendo, não sabem que a causa deles é inteiramente moral e que as inteligências, que lhes são os agentes imediatos, não obedecem ao capricho de ninguém, sejam médiuns ou outras pessoas. Os Espíritos agem quando e na presença de quem lhes agrada; freqüentemente, quando menos se espera é que as manifestações ocorrem com mais vigor, e quando as solicitamos elas não se verificam. Os Espíritos têm modos de ser que nos são desconhecidos; o que está fora da matéria não pode ser submetido ao cadinho da matéria. É, pois, equivocar-se julgá-los do nosso ponto de vista. Se acharem útil manifestar-se por sinais particulares, eles o farão; mas jamais à nossa vontade, nem para satisfazer à vã curiosidade.

Allan Kardec
Os Médiuns Julgados
Janeiro de 1858

Carta de 5 de janeiro de 1775, a um médico estrangeiro

As prevenções do público e suas incertezas sobre a natureza de meus meios me determinaram a publicar uma Carta de 5 de janeiro de 1775, a um médico estrangeiro, na qual eu dava uma idéia precisa de minha teoria, dos sucessos que havia obtido até então e daqueles que tinha chance de esperar. Eu anunciava a natureza e a ação do MAGNETISMO ANIMAL e a analogia de suas propriedades com aquelas do imã e da eletricidade.  Eu acrescentava que "todos os corpos eram, assim como o imã, suscetíveis da comunicação desse princípio magnético; que este fluido penetrava tudo; que podia ser acumulado e concentrado como fluido elétrico; que ele continuava a agir com o afastamento; que os corpos animados eram divisíveis em duas classes, da qual uma é suscetível deste magnetismo, e a outra de uma virtude oposta que suprime a ação". Enfim, mostrava a razão das diferentes sensações, e apoiava essas asserções em experiências que me haviam permitido prevê-las.

Franz Anton Mesmer

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O Livro dos Médiuns- Introdução

VI ENCONTRO DE DIRIGENTES ESPÍRITAS - ENDESP (Paranavaí)
Parte 1

Parte 2


Da influência dos planetas sobre o corpo humano

Fiz em Viena, em 1766, uma dissertação da influência dos planetas sobre o corpo humano. Parti dos princípios  conhecidos da atração universal, constatada pelas observações que nos ensinam que os planetas se afetam mutuamente nas suas órbitas, e que a lua e o sol causam e dirigem sobre o nosso globo o fluxo e o refluxo no mar, assim como na atmosfera. Parti, disse eu, do fato de essas esferas exercerem também uma ação direta sobre todas as partes constitutivas dos corpos animados, particularmente sobre o sistema nervoso, por meio de um fluído que a tudo penetra. Eu determinei essa ação pela intenção e a remissão das propriedades da matéria e dos corpos organizados, tais como a gravidade, a coesão, a elasticidade, a irritabilidade, a eletricidade.
Eu sustentei que do mesmo modo que os efeitos alternativos, em comparação com a gravidade, produzem no mar o fenômeno sensível que chamamos fluxo e refluxo, a intenção e remissão das ditas propriedades estão sujeitas à ação do mesmo princípio, experimentaria também um forte fluxo e refluxo. Apoiei esta teoria com diferentes exemplos de revoluções periódicas. Nomeei a propriedade do corpo animal, que o torna suscetível    
à ação dos corpos celestes e da terra, magnetismo animal. Eu explicava por este magnetismo as revoluções periódicas que nos chamam a atenção no sexo, e geralmente aqueles que os médicos de todos os tempos e de todos os países observaram nas doenças. 
Franz Anton Mesmer

...a mesma coisa que se dá com o sonambulismo

Dá-se com as manifestações espíritas a mesma coisa que se dá com o sonambulismo: se não se produzirem à luz do dia e publicamente, ninguém impedirá que ocorram na intimidade, pois cada família pode descobrir um médium entre seus membros, das crianças aos velhos, assim como pode encontrar um sonâmbulo
Quem, pois, poderá impedir que a primeira pessoa que encontremos seja médium e sonâmbula? Sem dúvida, os que o combatem não refletiram nisto. Insistimos: quando uma força está na Natureza, pode-se detê-la por um instante, porém, jamais aniquilá-la! Seu curso apenas poderá ser desviado. Ora, a força que se revela no fenômeno das manifestações, seja qual for a sua causa, está na Natureza, da mesma forma que o magnetismo, e não poderá ser exterminada, como a força elétrica também não o será. O que importa é que seja observada e estudada em todas as suas fases, a fim de se deduzirem as leis que a regem. Se for um erro, uma ilusão, o tempo fará justiça; se, porém, for verdadeira, a verdade é como o vapor: quanto mais se o comprime, tanto maior será a sua força de expansão.

Revue, 1858

Revista Espírita Histórica e Filosófica 13

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Citações de Allan Kardec sobre o Magnetismo

  1. Folha de rosto da Revista Espírita
  2. ...a mesma coisa que se dá com o sonambulismo
  3. Prêmio de 2.500 francos
  4. Reconhecimento da existência dos Espíritos e suas manifestações

Folha de rosto da Revista Espírita

REVISTA ESPÍRITA
Diário de Estudos Psicológicos

Contém:
O relato das manifestações materiais ou inteligentes dos Espíritos, aparições, evocações, etc., bem como todas as notícias relativas ao Espiritismo. – O ensino dos Espíritos sobre as coisas do mundo visível e do invisível; sobre as ciências, a moral, a imortalidade da alma, a natureza do homem e o seu futuro. – A história do Espiritismo na antigüidade; suas relações com o magnetismo e com o sonambulismo; a explicação das lendas e das crenças populares, da mitologia de todos os povos, etc. 

Publicada sob a direção
do
Sr. ALLAN KARDEC

Citações de Mesmer sobre o Magnetismo

  1. 27 Proposições de Mesmer sobre o Magnetismo Animal
  2. Conseqüência de duas ciências
  3. Da influência dos planetas sobre o corpo humano
  4. Carta a um médico estrangeiro

Magnetismo

Citações de Mesmer sobre o Magnetismo

Citações de Allan Kardec sobre o Magnetismo

Conseqüência de duas ciências

O magnetismo animal é uma conseqüência de duas ciências conhecidas, a astronomia e a medicina. É menos uma descoberta nova do que uma aplicação de fatos conhecidos desde há muito tempo a necessidades sentidas em todos os tempos.
Por esta expressão, magnetismo animal, eu designo então uma dessas operações universais da natureza, cuja ação determinada nos nossos nervos oferece à arte um meio universal de curar e de preservar os homens.
Franz Anton Mesmer

Efeitos do Desespero

Morte do Sr. Laferrière, membro do Instituto.
Suicídio do Sr. Léon L... – A viúva e o médico

Somente para registrar os acidentes funestos que chegam ao conhecimento do público, causados pelo desespero, seriam necessários volumes e mais volumes. Quantos suicídios, doenças, mortes involuntárias, casos de loucura, atos de vingança, crimes mesmo, não produz ele todos os dias! Uma estatística muito instrutiva seria a das causas primeiras que levaram à perturbação do cérebro; nela se veria que o desespero entra, pelo menos, com quatro quintos. Mas não é disto que queremos nos ocupar hoje. Eis dois fatos assinalados pelos jornais, não a título de novidades, mas como assunto de observação. 
Lê-se no  Siècle de 17 de fevereiro último o relato das exéquias do Sr. Laferrière: 

Efeitos do Desespero

"Assim, sem o Espiritismo, essa senhora provavelmente teria cometido um crime, por mais religiosa que fosse. Isto prova a inutilidade da religião? Não, de forma alguma, mas apenas a insuficiência das idéias que ela dá do futuro, apresentando-o de tal modo vago que deixa em muita gente uma espécie de incerteza, ao passo que o Espiritismo, permitindo, por assim dizer, tocá-lo com o dedo, faz nascer na alma uma confiança e uma segurança mais completas."

Allan Kardec 
Revista Espírita , Junho de 1861. 
Morte do Sr. Laferrière, membro do Instituto.
Suicídio do Sr. Léon L... – A viúva e o médico

Estudos de Cosme Massi sobre o Livro dos Médiuns

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Sobre o Contexto Histórico

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Brasão do Segundo Império
Cristian Macedo                                                                                                                                 historiador
O Espiritismo e os fenômenos que o antecederam, chamados de “mesas girantes”  (tables tournantes), ocorreram no período histórico francês conhecido como Segundo Império (1852-1870), sob Napoleão III.
Esta coluna que manterei trará informações históricas relativas a este período. Serão fatos, curiosidades, costumes, personalidades, etc.

O MARQUÊS DE SAINT-PAUL


Morto em 1860. Evocado a pedido de sua irmã, membro da Sociedade, em 16 de maio de 1861.


1. Evocação.
Resp. – Eis-me aqui.


2. A senhora vossa irmã pediu-nos para vos evocar, embora seja médium, mas não ainda bastante desenvolvida para sentir-se segura.
Resp. – Tentarei responder da melhor forma possível.

3. Primeiramente ela deseja saber se sois feliz.
Resp. – Estou errante e este estado transitório nunca traz felicidade nem castigo absolutos.

4. Demorastes muito tempo para vos reconhecerdes?
Resp. – Fiquei muito tempo em perturbação, e dela não saí senão para bendizer a piedade dos que não me esqueciam e oravam por mim.

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Certidão de nascimento de Allan Kardec

 
Tradução feita por Stenio Monteiro de Barros
 
"Aos doze, vindimário, ano treze.
Certidão de Nascimento de Denisard, Hypolite Leon Rivail, nascido ontem à tarde, às sete horas, filho de Jean Baptiste Antoine Rivail, homem de lei, morador em Bourg de L`Ain, e atualmente em Paris, e de Jeanne Louise Duhamel, sua esposa. O sexo da criança foi reconhecido como masculino. Testemunhas principais, Syriaque Frederic Dittmar, diretor do estabelecimento de águas minerais (nota acima) na rua Sala, e Jean François Turge, morador na mesma rua. Por requisição de Pierre Rodamel, médico, morador à rua Saint Dominique nº 78. Leitura feita, e por todos assinada. Constatada por mim, prefeito, abaixo assinada / Atualmente em Lyon, rua Sala, nº 74. Nota aprovada. - Assinaturas."
certidão

Nascimento


ALLAN KARDEC (Hyppolite-Léon-Denizard Rivail). 
Fundador da doutrina chamada espírita, nascido em Lyon em 3 de outubro de 1804, oriundo de Bourg en Bresse, departamento do Ain

Maurice Lachâtre,
Nouveau dictionnaire universel
1867



Bourg-en-Bresse, Notre-Dame-de-l'Annonciation


Avenida Alsace-Lorraine
Bourg-en-Bresse e Lyon

Biografia

Resumo biográfico

Nascimento - certidão de nascimento

Tradutor

Allan Kardec, tradutor

Vindo para Paris, e sabendo falar alemão tão bem quanto francês, traduziu para a Alemanha os livros da França que mais lhe tocavam o coração. Escolheu Fénelon para o tornar conhecido, e essa escolha denota a natureza benévola e elevada do tradutor. Depois, entregou-se à educação. Sua vocação era instruir. Seus sucessos foram grandes e as obras que publicou, gramática, aritmética e outras, tornaram popular o seu verdadeiro nome, o de Rivail.

Sr. E. Muller
no discurso diante do túmulo de Allan Kardec
1869.

Encarnação

A encarnação é, pois, uma necessidade para o Espírito que, realizando a sua missão providencial, trabalha seu próprio adiantamento pela atividade e pela inteligência, que deve desenvolver, a fim de prover à sua vida e ao seu bem-estar. Mas a encarnação torna-se uma punição quando o Espírito, não tendo feito o que devia, é constrangido a recomeçar sua tarefa, multiplicando penosas existências corporais por sua própria culpa. Um estudante não é graduado senão depois de ter passado por todas as classes. Essas classes são um castigo? Não: são uma necessidade, uma condição indispensável de seu progresso. Mas se, pela preguiça, for obrigado a repeti-las, aí está a punição. Poder passar em algumas é um mérito. O que, pois, é certo é que a encarnação na Terra é uma punição para muitos dos que a habitam, porque poderiam tê-la evitado, ao passo que talvez tenham dobrado, triplicado e centuplicado a existência por sua própria culpa, assim retardando sua entrada em mundos melhores. O que é errado é admitir em princípio a encarnação como um castigo. 

Allan Kardec

Princípio da Não-Retrogradação dos Espíritos

Revista Espírita, Junho de 1861.

Mídias

Cosme Massi

Áudios (links para o site geak.com.br)

Vídeos

Cosme Massi

Cosme Damião Bastos Massi, natural de Três Rio-RJ, residente em Curitiba-PR, é Doutor em Lógica e Filosofia da Ciência pela Universidade de Campinas (Unicamp), Assessor da Reitoria da Universidade Positivo (UP) de Curitiba-PR. 
Foi Presidente da União das Sociedades Espíritas Intermunicipal de Marília-SP, coordenador doutrinário da Sociedade Espírita Renovação, de Curitiba-PR e idealizador do GEAK (Grupo de Estudos Allan Kardec) e do IPEAK (Instituto de Pesquisas Espíritas Allan Kardec).  É autor do livro “O Ponto de Vista Kardequiano” e “Virtudes: um diálogo introdutório”.

EMANUEL SWEDENBORG, segundo Borges

Jorge Luis Borges
Buenos Aires, 24/08/1899 — Genebra, 14/06/1986
Voltaire disse que o homem mais extraordinário registrado pela história foi Carlos XII. Eu diria: talvez o homem mais extraordinário – a admitirmos tais superlativos – tenha sido o mais misterioso dos súditos de Carlos XII, Emanuel Swedenborg. Quero dizer algumas palavras sobre ele e, em seguida, falar de sua doutrina, que é o que mais nos interessa.
Emanuel Swedenborg nasceu em Estocolmo, no ano de 1688, e morreu em Londres, em 1772. Uma longa vida, mais longa ainda se pensarmos nas breves vidas da época. Quase conseguiu completar cem anos. Sua vida divide-se em três períodos. Esses períodos são de intensa atividade. Cada um deles dura – já se calculou – vinte e oito anos. No início, temos um homem dedicado ao estudo. O pai de Swedenborg era um bispo luterano, e Swedenborg foi educado no luteranismo, cuja pedra angular, como se sabe, é a salvação pela graça – em que Swedenborg não acredita. Em seu sistema, na nova religião que pregou, fala-se da salvação pelas obras, embora estas não sejam, certamente, missas nem cerimônias; são obras verdadeiras, obras nas quais se insere o homem em sua totalidade, quer dizer, seu espírito e, o que é ainda mais curioso, também sua inteligência.

Áudios de Cosme Massi

O site geak.com.br disponibiliza gravações de áudio dos estudos ministrados por Cosme Massi, em Curitiba.

Ouça esse interessante estudo sobre o capítulo XIV da obras A Gênese, de Allan Kardec, intitulado "Os Fluidos"

Primeiro estudo
Segundo estudo
Terceiro estudo
Quarto estudo
Quinto estudo
Sexto estudo

Vapor, eletricidade e magnetismo animal

Estava reservada para a nossa época a eclosão, no mesmo cinqüentenário, do vapor, da eletricidade, do magnetismo animal – pelo menos como ciências aplicadas – e, finalmente, do Espiritismo, de todas a mais maravilhosa, não só na constatação material de nossa existência imaterial e de nossa imortalidade, mas ainda no estabelecimento de relações, por assim dizer, materiais e constantes, entre nós e o mundo invisível.
Allan Kardec 
Revista Espírita, Fevereiro de 1861

A Prece

Mais não possa, mortais, por meus fracos acentos
Pôr-vos no coração o incenso dos alentos!
Em versos aprendeis, ouvindo-lhe a expressão,
Isso que é suplicar, isso que é oração.

O DEBOCHE


(Enviado pelo Sr. Sabò, de Bordeaux)

A escolha dos bons autores é muito útil e os que exercem seu domínio sobre vós, excitando-vos a imaginação pelas loucas paixões humanas, não fazem senão corromper o coração e o espírito. Com efeito, não é entre os apologistas da orgia, do deboche, da volúpia e dos que preconizam os prazeres materiais que se podem haurir lições de melhoramento moral. Pensai, pois, meus amigos, que se Deus vos deu paixões foi com o objetivo de vos fazer concorrer para os seus desígnios e não para as satisfazer como um animal. Ficai certos de que se consumis a vossa vida em loucos prazeres, que apenas deixam remorsos e o vazio no coração, não agireis segundo os propósitos de Deus. Se vos é dado reproduzir a espécie humana, é que milhares de Espíritos errantes esperam no espaço a formação dos corpos de que têm necessidade para recomeçar suas provas e que, usando as vossas forças em ignóbeis volúpias, ides de encontro aos desígnios de Deus e grande será o vosso castigo. Bani, pois, essas leituras, das quais não tirais nenhum proveito, nem para a vossa inteligência, nem para o vosso aperfeiçoamento moral. Que os escritores sérios de todos os tempos e de todos os países vos façam conhecer o belo e o bem; que elevem vossa alma pelo encanto da poesia, ensinando-vos o emprego útil das faculdades com que o Criador vos dotou. 

Felícia,
Filha do médium
Revista Espírita, Junho de 1861.