POLÊMICA ENTRE VÁRIOS ESPÍRITOS - parte 3

 

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PERGUNTAS DIRIGIDAS A BUFFON A PROPÓSITO DE SUA COMUNICAÇÃO
P. – Agradecemos a espirituosa comunicação que houvestes por bem nos dar. Contudo, há algo que nos surpreende: é que estais a par dos mínimos detalhes da nossa literatura, apreciando obras e autores com notável precisão. Então ainda vos ocupais com o que se passa na Terra, desde que conheceis tudo isso? Ledes, pois, tudo quanto se publica? Tende a bondade de dar uma explicação, que será muito útil à nossa instrução.


Resp. – Não precisamos de muito tempo para ler e apreciar; num único golpe de vista apanhamos o conjunto das obras que nos atraem a atenção. Todos nós nos ocupamos com muito interesse do vosso caro grupinho; daqueles a quem chamais homens eminentes, não acreditaríeis quantos acompanham, com benevolência, os progressos do Espiritismo. Assim, podeis pensar quanto me senti feliz por ver meu nome pronunciado por Lamennais, um de vossos fiéis Espíritos, e com que agilidade aproveitei a ocasião para me comunicar convosco. Com efeito, quando fui posto em causa em vossa última sessão, recebi, por assim dizer, o contragolpe do vosso pensamento e, não querendo que a verdade que eu havia proclamado em meus escritos fosse derrubada sem ser defendida, roguei a Erasto que me emprestasse seu médium para responder às asserções de Lamennais. Por outro lado, deveis compreender que cada um de nós permanece fiel às suas preferências terrenas, razão por que nós outros, escritores, estamos atentos ao progresso realizado pelos autores vivos, ou que eles pensam realizar na literatura. Assim como os Jouffroy, os Laroque, os la Romiguière se preocupam com a filosofia, e os Lavoisier, os Berzélius, os Thénard com a química, cada um cultiva a sua mania e se recorda com amor de seus trabalhos, acompanhando com olhar inquieto o que fazem seus sucessores.                                                         P. – Em poucas palavras apreciastes vários escritores contemporâneos, mortos ou vivos. Seríamos muito reconhecidos se nos désseis, sobre alguns deles, uma apreciação um pouco mais desenvolvida e mais metódica; seria muito útil para nós. Para começar, pediríamos que falásseis de Bernardin de Saint-Pierre, principalmente de seu  Paulo e Virgínia, cuja leitura havíeis condenado e que, no entanto, se tornou uma das obras mais populares.
Resp. – Não posso aqui empreender o desenvolvimento crítico das obras de Bernardin de Saint-Pierre. Quanto à apreciação que fiz naquela época, posso confessá-lo hoje: eu era, como o Sr. Josse, um tanto perfeccionista; numa palavra, fiel ao espírito de camaradagem literária, desancava o quanto podia um importuno e importante concorrente. Mais tarde vos darei a minha verdadeira apreciação sobre esse eminente escritor, caso um Espírito realmente crítico, como Merle ou Geoffroy, não se encarregue de o fazer.
Buffon

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